Elvas à espera dos espanhóis para animar restaurantes e comércio

Os empresários de Elvas aplaudem a reabertura da fronteira do Caia, na esperança de recuperarem os prejuízos provocados pela ausência de espanhóis desde o dia 16 de março. A restauração fala numa quebra de 75%, enquanto o comércio também se debate com dias de crise.

Esta tarde só o canto das cigarras rompe o silêncio numa das zonas históricas de Elvas. Desde que as fronteiras fecharam os fins de semana ficaram "despidos" da língua castelhana que por aqui se ouvia como se de Espanha se tratasse.

"Agora está assim, mas isto vai-se compor, a pouco e pouco. A economia tem que andar para a frente", diz José Martins, guia turístico. Habituado à clientela espanhola, estima uma quebra de 70% na procura. Um valor que não anda longe do apurado pela contabilidade organizada de Ruy Andrade, proprietário do restaurante Acontece.

Avança à TSF que a contabilista "fez esse apanhado durante estes dois meses e chegou à quebra de 75%" atribuída à ausência de espanhóis. Daí que a abertura da fronteira se traduza em "sinais de esperança" para este empresário. Mesmo com a limitação de lugares na casa, já tem reservas de clientes espanhóis para este fim de semana.

"O sábado e o domingo já estão compostos com clientes espanhóis", revela, admitindo que para evitar aglomerados no exterior do restaurante - e perante a afluência que se perspetiva de espanhóis a Elvas - optou por servir apenas quem fizer reserva.

O otimismo é transversal ao comerciante Eurico Santana. O dono da Casa Guadiana nunca tinha conhecido tamanha crise e até se virou para as "vendas digitais". Admite que será difícil contornar os prejuízos provocados pela ausência de espanhóis desde o dia 16 de março, mas tem "fé" para este verão.

"Os espanhóis não o dizem diretamente, mas estão a pedir para que as pessoas fiquem lá a fazer turismo", diz, admitindo, contudo, que "muitos devem optar por vir a Elvas e deverão animar um bocado o nosso comércio."

Opinião corroborada por Vicência Carapinha. Dona de uma loja de loiça, chegou a"rechear" a casa de mercadoria a pensar na Páscoa, mas a pandemia estragou-lhe o negócio. "Os espanhóis representam mais de 50% das minhas vendas. Sem eles isto fica muito complicado", admite, depositando "boas perspetivas para os próximos tempos".

Há várias semanas que o próprio presidente da Câmara de Elvas, Nuno Mocinha, assumia a abertura das fronteiras como prioridade, admitindo que sem espanhóis Elvas "perde as dinâmicas empresariais".

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