Empresa de Mário Ferreira vai receber mais de metade dos apoios pós-pandemia já aprovados

O dono da Pluris Investments vai poder contar com 40 milhões de euros de um total próximo dos 80 milhões.

Mais de metade dos apoios já aprovados para ajudar as empresas a recuperar da pandemia vai para o empresário Mário Ferreira. São 40 milhões de euros de um bolo total de quase 80 milhões, mas o dono dos barcos de cruzeiros no Douro recusa que esteja a ser beneficiado.

O jornal Público desta terça-feira escreve que Mário Ferreira vai receber 52% dos fundos do Plano de Recapitalização Estratégica, destinados a apoiar empresas viáveis e consideradas de interesse estratégico nacional e que tenham sido afetadas pela pandemia.

Ao todo, o dono da Pluris Investments vai poder contar com 40 milhões de euros que, de acordo com o empresário, citado pelo jornal, vão servir para capitalizar a empresa de navios turísticos Mystic Cruises.

Segundo a lista divulgada pelo Banco de Fomento e que está disponível no site da instituição, apenas a Pluris Investments ultrapassa o limite preferencial de 10 milhões de euros de apoio, valor esse que estava definido nas regras.

Quanto aos restantes apoios, a MD Group e a Viagens Abreu vão receber cerca de 10 milhões de euros cada e, das 12 candidaturas aprovadas, apenas duas vão contar com apoio público e privado.

Em declarações à TSF, Mário Ferreira esclarece que não se trata de um apoio de Estado, mas sim um empréstimo que pode ir até aos 40 milhões de euros.

"Isto não é um auxílio de Estado, isto é um empréstimo por um banco que é regulado, com regras muito rígidas, impostas pela comunidade europeia. A recomendação é entre 10 e 40 [milhões de euros]. Se assim não fosse não estaria aprovado, porque o que acontece é que a partir dos 10 tem um regime especial muito mais técnico em termos de rigor e de controlo, que inclusive passará por ser visto e autorizado pela própria comunidade europeia e é óbvio que está tudo de acordo com o regulamento", explica.

Ao Público, Mário Ferreira garante que não está a receber nada e que vai dar muito dinheiro a ganhar. O empresário nortenho, que é também o maior acionista da Media Capital, sublinha que o apoio que vai receber é todo reembolsável e que vai pagar taxas de juro mais altas do que as que pagaria junto da banca privada.

Ainda assim, Mário Ferreira assegura que a escolha por este tipo de financiamento baseia-se apenas no período de carência, que é de três anos, e que pretende amortizar todo o empréstimo em cerca de cinco anos, já que o spread, ou seja, a taxa de juro, vai subindo ao longo do prazo.

O jornal Público escreve ainda que este apoio não significa uma entrada do Estado no capital. O diário sublinha que o investimento vai ser em obrigações convertíveis, ou seja, de quase capital.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial do Banco Português de Fomento (BPF) explicou que "a candidatura ao investimento aprovado para a Pluris Investments visa exclusivamente o apoio à atividade turística desse grupo" económico.

"Trata-se de uma operação de investimento de quase capital cujas condições estão alinhadas com o Quadro Temporário de Auxílios de Estado Covid-19 publicado pela Comissão Europeia, na sua versão atualizada em 18 de novembro de 2021", prosseguiu a mesma fonte, em resposta por escrito.

Esta operação "de investimento foi qualificada como estratégica em resultado da aplicação dos critérios de avaliação previstos no Programa de Recapitalização Estratégica lançado pelo Fundo de Capitalização e Resiliência", concluiu o BPF.

* Notícia atualizada às 11h52

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