Empresários falam de "forte machadada" com fronteiras fechadas na Páscoa

Sempre que a fronteira entre Portugal e Espanha fecha, a restauração em Elvas contabiliza prejuízos na ordem dos 70 a 75%.

Uma forte machadada na economia. É assim que os empresários das zonas da raia encaram o prolongamento das restrições nas fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha até à Páscoa, como avançou esta quinta-feira, em Madrid, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

A Páscoa até era encarada como uma boa oportunidade para que a restauração de Elvas começasse a recuperar dos tempos de crise impostos pela Covid-19, mas as declarações do ministro Eduardo Cabrita agravaram a desilusão entre os empresários do setor.

"A Semana Santa, aqui na zona do raia, é sempre uma das melhores semanas do ano. Às vezes até é melhor do que algumas semanas que temos durante o verão", explica Ruy Andrade, proprietário de um restaurante no centro de Elvas, justificando que a circulação de espanhóis em direção a várias zonas de Portugal coloca a cidade fronteiriça alentejana na rota dos visitantes do lado de lá da raia.

Sem espanhóis e confinado o empresário mantém o restaurante fechado desde o dia 16 de janeiro à espera que o desconfinamento traga dias menos sombrios. "Ainda tentámos ver se resultava o serviço take-away durante três dias, mas não resultou e fechámos para lay-off", revela.

João Pires, presidente da Associação Empresarial de Elvas, junta-se à desilusão instalada na cidade que tem "Badajoz à vista", dando conta que a manutenção das fronteiras fechadas durante a Páscoa traduz uma "forte machadada que vem na sequência das anteriores".

O dirigente fala de "limitações impostas aos empresários próximos das fronteiras com a não-circulação de pessoas", avançando que vários negócios estão a viver "tempos agonia", lamentando que não tenham dimensão para responder a esta crise.

"Os empresários de médio e grande porte vão ter mais facilidade em sobreviver, no final disto tudo, do que o pequeno empresário, que vive uma situação dramática", alerta.

Em Elvas, sempre que as fronteiras fecham, a restauração contabiliza prejuízos na ordem dos 70 a 75% provocados pela ausência dos clientes espanhóis. As fronteiras entre Portugal e Espanha estão fechadas desde 31 de janeiro.

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