"Encerrados por decreto desde 2020." Governo duplica apoios a bares e discotecas

Foi criado, na plataforma Apoiar.pt, um apoio extraordinário para as empresas que se mantêm encerradas por decreto. A Associação Nacional de Discotecas diz que se trata de salvar o setor, encerrado há 17 meses. A Associação Nacional de Restaurantes Pro.var lamenta que a portaria deixe de fora a restauração.

O Governo publicou esta manhã a portaria que duplica os apoios para os bares e discotecas fechadas à força, por lei.

José Gouveia, presidente da Associação Nacional de Discotecas, explica que esperavam há seis meses por este dinheiro que será fundamental para salvar, pelo menos, parte das empresas. "Esta portaria significa o regresso aos apoios após uma longa espera. Desde fevereiro não há qualquer tipo de apoios para o setor, um setor que está encerrado por decreto desde março de 2020", refere, em declarações à TSF, sobre os apoios criados para tentar compensar os prejuízos de um ano inteiro de suspensão da atividade.

"Foi criado, dentro da plataforma Apoiar.pt, um apoio extraordinário para as empresas que se mantêm encerradas por decreto, não só as da noite, mas também, por exemplo, as itinerantes", explica ainda o responsável.

O dinheiro do Estado não vai resolver todos os problemas, mas ajuda, como admite José Gouveia. "Satisfeitos não ficamos, mas percebemos as dificuldades que o Governo tem para chegar a todo o lado. Neste momento, tudo o que vier é bom para empresas que não têm nada, que não têm receitas há 17 meses."

Está em causa salvar o setor e mesmo estes apoios, de acordo com o presidente da Associação Nacional de Discotecas, "não são suficientes". "Os valores são sempre homólogos a um rácio que se encontra entre aquilo que foi faturado em 2019 e o que não foi faturado em 2020. São valores baixos, até porque estas empresas têm muitas despesas."

Pelas novas regras do estado de calamidade, os bares, entretanto, já foram reabertos, mas as discotecas continuam fechadas, à espera do avanço do processo de vacinação.

Restauração reivindica reforço de apoios e diz-se excluída

Já a Associação Nacional de Restaurantes Pro.var lamenta que a portaria publicada esta terça-feira pelo Governo para duplicar os apoios para bares e discotecas fechadas por decreto não inclua os restaurantes.

Daniel Serra, presidente da Pro.var, diz que muitos restaurantes nao foram fechados à força, mas que, na prática, quase nao têm clientes porque nao têm esplanadas, e manifesta "surpresa e apreensão" perante a decisão do Executivo. "Aquilo de que nós nesta altura estávamos à espera era que o Governo nos desse algum tipo de apoio adicional", reconhece.

O responsável acredita, no entanto, que o Governo terá de o anunciar, sob pena de, "dentro de dias, começarmos a assistir a muitas empresas a fechar", e porque "as perdas são de tal ordem elevadas que vai ter de o fazer mais tarde".

"As empresas não querem estar à espera porque não podem estar à espera. A situação é grave." O alerta aplica-se especialmente grave a restaurantes sem esplanadas ou em centros comerciais. "Já há trabalhadores que não recebem salários. Já há fornecedores que não recebem, e senhorios que não recebem rendas."

Daniel Serra expõe mesmo o contraste entre os que estão a trabalhar "relativamente bem, porque têm esplanadas grandes" e os que estão praticamente parados "porque não têm esplanadas ou estão em centros comerciais", classificando o último caso como uma situação de "gravidade extrema".

Muitos empresários, sustenta ainda, não conseguem dispensar os trabalhadores por compromissos estabelecidos por força dos apoios: "É uma situação caricata. Os empresários têm de manter os trabalhadores apesar de não precisarem da maioria deles, porque estão parados."

Atualizado às 13h35

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