Escassez de materiais e até a 'bazuca' europeia explicam aumento de preços na construção

Proprietários têm cada vez mais dificuldades em encontrar quem faça obras em casa. Engenheiros dizem que construção civil passou de um período "à míngua" para um período de "abundância" e "fartura".

Os preços da construção civil estão a aumentar, empurrados pela escassez de materiais nos mercados internacionais e pelas abundantes obras privadas e públicas.

Os últimos números do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos a março, revelam um crescimento de 5,1% nos custos de construção de habitação nova, num fenómeno que é confirmado por engenheiros e construtores civis que dizem que a tendência será para continuar a subir nos próximos anos, o que se arrisca a ser uma má notícia para o preço das casas.

O presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário fala em falta de mão de obra, mas "mais grave" é a escassez e subida dos preços dos materiais usados nas obras, num "problema mundial", que já se reflete e se vai agravar com os diferentes planos de recuperação e resiliência que serão aplicados, nos próximos anos, por toda a Europa e não apenas em Portugal.

Reis Campos afirma que para quem faz obras em casa ou procura casa barata a subida do preço da construção civil é, naturalmente, uma má notícia, algo que acaba por ser confirmado pelas associações de proprietários.

A vice-presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, Iolanda Gávea, refere que é cada vez mais difícil encontrar quem faça grandes e sobretudo pequenas obras em casa: "Há cada vez mais escassez de empreiteiros e há muito pouca gente disponível", detalha.

Do lado da Associação Nacional de Proprietários, o presidente, António Frias Marques, confirma, mas diz que as dificuldades variam conforme a região do país e agravam-se na Grande Lisboa: "Há dezenas de anos era fácil encontrar quem fizesse pequenas reparações, hoje é praticamente impossível na Área Metropolitana de Lisboa, excepto os estrangeiros e em especial os brasileiros que entraram nesse mercado".

Com tanta procura de mão de obra e materiais, não admira que os preços subam, como explica o bastonário da Ordem dos Engenheiros, para quem o problema, sobretudo nas obras públicas, até há uns anos, eram os preços extremamente baixos praticados pelo Estado. Mineiro Aires admite que agora há obras por todo o lado.

"O mercado alterou-se substancialmente e passámos de uma fase em que as empresas tiveram de viver à míngua em obras particulares e públicas para um período de abundância. Há investimento privado com fartura, há reabilitação, construção nova e simultaneamente um pacote enorme de obras públicas que ainda vai crescer mais nos próximos anos", detalha o bastonário para quem os preços - seguindo a lei da oferta e da procura - continuarão a subir, algo que pode levar os orçamentos feitos para as obras públicas a estarem, no final, mal calculados.

Segundo o INE, no espaço de um ano os preços dos materiais para construção de habitação nova subiram 3,3%, enquanto que o custo da mão de obra escalou 7,6%.

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