Estado "nunca interferiu em qualquer operação" da CGD

Ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, Teixeira dos Santos diz que não tem arrependimentos.

Teixeira dos Santos garante que o Estado "nunca interferiu em qualquer operação efetuada pela Caixa".

Ouvido esta tarde na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, o antigo ministro das Finanças diz que não tem arrependimentos.

"Não há matéria sobre a qual deva, de alguma forma, sinta necessidade de estar arrependido", assegura. Nem sequer de ter nomeado Armando Vara e Santos Ferreira para a administração da Caixa.

O social-democrata Duarte Marques acusa Teixeira dos Santos de não saber o que se passava no banco público durante o tempo em que foi membro do Governo. "O ministro das Finanças era o último a saber", atira.

Conhecia a situação global, mas não projetos concretos, responde-lhe Teixeira dos Santos. "Acha que sou omnipresente? Que sou tipo Big Brother? Não exija que vá para além das capacidades de um ser humano."

Além disso, "não tinha de conhecer os negócios que a Caixa conduzia (...) o meu dever era não me ingerir na condução da atividade da Caixa. Foi o que sempre fiz", defende.

O antigo presidente do conselho fiscal da CGD, Eduardo Paz Ferreira, disse nesta comissão de inquérito que enviou para o ministério das Finanças alertas sobre o comportamento da CGD, lembra Duarte Marques. O que fez perante esses alertas?

"Não tenho conhecimento de alguma vez terem sido recebidos alertas, denuncias ou recomendações apelando à intervenção do acionista nestas matérias", ressalva Teixeira dos Santos.

"Não é o acionista que diz à Caixa o que deve e não deve fazer. Até seria uma falta de respeito para com a administração."

Quem falhou? "Todos falhamos", diz, já na terceira ronda de perguntas. "Houve falhas em geral, na supervisão, falhas políticas. Todos falhámos um pouco. Não quero acreditar que alguém tenha querido falhar de propósito."

Assalto ao BCP?

Face à tese de que houve uma ação concertada de um movimento de acionistas para tomar conta do BCP, em 2007, Teixeira dos Santos admite que também lhe "custa encaixar as peças".

"Como ministro, apercebia-me do que se passava no BCP porventura como outras pessoas que veem o que se passa pela comunicação social", afirmou.

Sabia que "havia operações" de tomada de posição acionista no BCP, mas não que se tratava "de uma ação concertada, se é que a havia".

O ministério das Finanças nunca teve de ter preocupações especiais com o BCP, garante, porque as operações do banco estariam a "ser acompanhadas por quem deveria" - o Banco de Portugal. Só teria de se preocupar se o Banco de Portugal alertasse a tutela nesse sentido.

"Apercebi-me que havia uma disputa no BCP, numa me apercebi que a CGD fosse parte interveniente nesse disputa", ressalva.

Teixeira dos Santos nega ainda que as várias fações na luta pelo poder do BCP tenham pedido apoio ao Governo.

[Notícia em atualização]

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