Estudo "sem credibilidade". Produtores garantem segurança de peras e maçãs portuguesas

Uma análise promovida por uma rede europeia que monitoriza o uso de pesticidas colocou as frutas portuguesas no segundo lugar do ranking da maior proporção de frutas contaminadas em 2019, mas a federação de produtores garante que os portugueses são vistos como garante de "segurança alimentar e qualidade".

A Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP) garante que as peras e maçãs produzidas em Portugal são totalmente seguras para consumo e rejeita que estas estejam entre as que têm uma maior quantidade de pesticidas perigosos ao nível da União Europeia.

A análise feita pela rede "Pesticide Action Network" (PAN) atira as frutas portuguesas para o segundo lugar do ranking da maior proporção de frutas contaminadas em 2019: em 85% das peras portuguesas testadas e em 58% de todas as maçãs testadas foi encontrada contaminação por pesticidas perigosos.

Confrontado com estes resultados, o presidente da FNOP, Domingos dos Santos, diz que esta análise é apenas um estudo que "não dá credibilidade".

"Não tem dados, não mostra que laboratórios é que foram utilizados para chegar a estes valores e é de 2019, estamos em 2022", assinala o líder dos produtores. Domingos dos Santos recusa também que os produtos em questão sejam tóxicos, garantindo que, "se aparecerem, estão dentro do que é legal".

Os produtores de peras e maçãs, assinala também, exportam para as cadeias de supermercados "mais exigentes em toda a Europa" e são vistos como garantia de "segurança alimentar e qualidade".

Estabelecidas estas premissas, Domingos dos Santos afirma sem reservas: "Estou em plenas condições de afirmar que a nossa produção está em conformidade com a lei nacional e europeia - temos de transcrever para a legislação nacional todas as orientações comunitárias - e afirmo até que a Europa é a região do globo onde se consome produtos com mais segurança."

No caso português, a fiscalização começa pelo autocontrole - "porque ninguém tem interesse e nenhum produtor quer ter problemas com as entidades sanitárias" -, associado a uma "bateria de análises" feitas ao longo do ano.

Seguem-se, por parte da ASAE, "muitas recolhas, anualmente, de vários produtos em vários pontos da cadeia" de abastecimento. As análises a estes produtos têm revelado uma conformidade para com as normas de "acima de 90%".

Domingos dos Santos refere também que os clientes - "supermercados nacionais e internacionais" - ordenam análises periódicas aos produtos que adquirem. "Se não estiver em conformidade, perdemos o cliente", alerta.

A "Pesticide Action Network" (PAN), fundada em 1982, é uma rede de mais de 600 organizações não governamentais, instituições e pessoas de mais de 60 países que procura minimizar os efeitos negativos dos pesticidas perigosos, e substituí-los por alternativas ecologicamente corretas e socialmente justas. A PAN Europa foi criado em 1987 e reúne 38 organizações de consumidores, de saúde pública e ambientais, entre outras.

Segundo o estudo, que analisou 97.170 amostras de variedades populares de fruta fresca cultivada na Europa, foi demonstrado um aumento de 53%, em nove anos, da frequência de amostras contaminadas com os piores tipos de pesticidas.

A nível da União Europeia, segundo o estudo, as taxas de contaminação tanto para maçãs como para peras mais do que duplicaram entre 2011 e 2019.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de