Exportações têxteis e de vestuário caem 10,1% e somam 410 milhões de euros em janeiro

No primeiro mês de 2021, as exportações de vestuário caíram 16,3%.

As exportações portuguesas de têxteis e vestuário caíram 10,1% em janeiro, para 410 milhões de euros, somando menos 46 milhões de euros do que no mesmo mês de 2020, informou esta sexta-feira a associação setorial.

No primeiro mês de 2021, as exportações de vestuário caíram 16,3% (menos 45,7 milhões de euros), as de matérias primas têxteis caíram 5,1% (menos seis milhões de euros) e as de têxteis lar e outros artigos têxteis confecionados (onde se incluem as máscaras têxteis) aumentaram 9,2% (mais seis milhões de euros), refere a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) em comunicado.

Tendo por base dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a ATP destaca, em termos de mercados, as exportações para França (acréscimo de dois milhões de euros, equivalente a mais 3%) e para a Dinamarca (mais 1,5 milhões de euros, ou seja, mais 17%).

Embora o Reino Unido (excluindo a Irlanda do Norte) lidere a tabela dos países que registaram maior acréscimo, a ATP nota que tal "é devido ao facto de em 2020 não haver dados para esta classificação".

"Estatisticamente, em 2020 havia apenas a designação Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte que, em 2021, passou a estar dividida em Reino Unido (Irlanda do Norte) e Reino Unido (não incluindo a Irlanda do Norte)", explica.

Já Espanha continuou, em janeiro, a salientar-se como o destino com maiores quebras das exportações portuguesas: menos 30 milhões de euros (-24%).

No que se refere às importações do setor, caíram 33% (menos 126 milhões de euros) em termos homólogos, recuando 44% (menos 94 milhões de euros) no segmento do vestuário e 24% no de matérias têxteis.

Conforme nota a ATP, esta diminuição das importações evidencia uma quebra na atividade do setor que "terá, com certeza, impacto nas exportações dos meses de fevereiro e março".

Quanto às importações de têxteis lar e de outros artigos têxteis confecionados (máscaras têxteis incluídas), subiram 15%.

Por mercados, a Turquia lidera a tabela dos países que registaram maior acréscimo das importações (mais 1,8 milhões de euros, ou seja, +17%), e Espanha foi a origem que mais caiu, com menos 53 milhões de euros importados, ou seja, menos 40%.

Também em comunicado, a Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção (ANIVEC/APIV) destaca que, "só no primeiro mês [de 2021], a indústria de vestuário portuguesa perdeu 45,7 milhões de euros em exportações, que se ficaram por 235,4 milhões de euros em comparação com 281,1 milhões de euros em janeiro de 2020".

"Esta quebra assume proporções diferentes no vestuário em tecido, cujas exportações baixaram 36%, equivalente a menos 32 milhões de euros, enquanto no vestuário em malha a redução foi de 7,1%, para 178,3 milhões de euros (menos 13,6 milhões de euros)", precisa.

Espanha, o principal mercado da indústria portuguesa de vestuário, é o país com maior queda relativa (-28,4%) e absoluta (-26,3 milhões de euros) nas exportações, tendo comprado, em janeiro de 2021, menos de metade (-56,8%) do vestuário em tecido que comprou no mesmo mês do ano passado.

Ainda assim, nota a ANIVEC/APIV, "as reduções são praticamente transversais aos 12 principais mercados, que em conjunto representam 94% de todas as exportações portuguesas de vestuário, com exceção da Dinamarca (+23%) e dos Países Baixos (+3,4%)".

"O início do ano está a revelar-se muito difícil para a indústria de vestuário, em particular para os produtores de vestuário de tecido", sublinha o presidente da ANIVEC, citado no comunicado.

Explicando que "o vestuário de tecido é sobretudo usado em contextos mais formais, como no local de trabalho e em contextos sociais e de festa", César Araújo afirma que "os confinamentos um pouco por toda a Europa, o encerramento dos pontos de venda e a adoção generalizada do teletrabalho levaram os consumidores a reduzirem, ou até mesmo anularem, as compras deste tipo de vestuário".

Algo que, frisa, "está a ter um impacto fortíssimo na atividade das empresas do setor, que se veem sem encomendas e sem clientes".

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