Falta de matérias-primas no Natal? "No verão, os preços vão ter aumento significativo"

A menos de um mês para o Natal, alguns comerciantes do Porto notam que os clientes estão preocupados com a possível falta de produtos nas lojas. Na origem desta preocupação estão, por um lado, as notícias que dão conta da escassez de matéria-prima e, por outro, o aumento no custo dos produtos.

A pouco menos de um mês para o Natal, alguns comerciantes da baixa do Porto notam que os clientes estão preocupados com a possível falta de produtos nas lojas. Na origem desta preocupação está a paragem na extração de matérias-primas, que deu origem a uma diminuição de stocks e a uma subida de preços.

É o caso da "Casa dos Neves". Situada no centro da cidade, são muitas as pessoas que procuram esta loja para comprar roupa, calçado ou acessórios de moda. É Pedro Neves, filho do dono do estabelecimento, quem costuma estar do outro lado do balcão.

Enquanto pede um número "37" para calçar uma cliente, o funcionário não esconde o seu entusiasmo quando percebe que, este ano, os clientes estão a procurar mais o comércio local. "Temos assistido a um fluxo muito interessante, nomeadamente, em relação ao ano passado. 2020 foi um ano atípico mas, se compararmos com anos anteriores, devo dizer que estamos a ser bastante felizes", afirma.

Num canto da loja, há quem experimente sapatos. No outro, quem peça para ver malas. A oferta é variada e para todos os gostos. No entanto, Pedro Neves revela estar preocupado com a falta de matéria-prima que se vai fazendo sentir no comércio e que tem como consequência um aumento no preço dos produtos. "No próximo verão, os preços vão ter um aumento muito significativo", revela.

Na mercearia Casa Chinesa esta realidade também já é visível. Com uma longa tradição na venda de bacalhau e especiarias, este ano, as encomendas chegaram mais cedo. Em causa, está o receio por parte das pessoas de que as prateleiras possam ficar vazias. "Dá a impressão de que as pessoas estão a antecipar algumas compras de Natal que, por norma, seriam feitas mais em cima da quadra natalícia", admite Daniel Moreira, gerente da Casa Chinesa. Este fenómeno pode estar relacionado com "o facto de haver notícias que dão conta de alguma instabilidade" no que diz respeito à escassez de matéria-prima e ao aumento dos custos dos produtos, esclarece.

Em contrapartida, e no que diz respeito ao setor tecnológico, a preocupação parece não ser a mesma. Até ao momento, a empresa Xiaomi garante não ter sentido qualquer constrangimento na entrega e reposição de equipamentos. "Felizmente, temos tido alguma facilidade em obter stock junto dos nossos fornecedores. Temos conseguido, de facto, satisfazer as necessidades dos clientes", sublinha Nuno Silva, funcionário da Xiaomi.

Apesar dos receios e preocupações, os comerciantes acreditam que o Natal dos portugueses não está comprometido e que não vão faltar produtos para as compras desta época. Nesse sentido, o gerente da Casa Chinesa não tem dúvidas: "Alguns produtos podem falhar mas, em termos gerais, eu não dramatizaria tanto a questão", frisa.

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