"Conhecimento total da operação do La Seda era de Jorge Tomé, não meu"

Faria de Oliveira responde pela segunda vez às perguntas dos deputados na comissão parlamentar de inquérito à gestão da CGD. Siga aqui em direto.

Faria de Oliveira diz que só sabia que a CGD ia entrar na operação La Seda como acionista, mas não conhecia detalhes. Teve conhecimento apenas de que "havia uma perspetiva muito grande de realizar um grande projeto em Sines".

"O conhecimento total da operação do La Seda era de Jorge Tomé, não meu", assegura o ex-presidente do Conselho de Administração da Caixa, questionado pelo deputado do PS João Paulo Correia. "Eu estava muito longe de conhecer os contornos do processo."

Nas conclusões da auditoria à CGD, a EY identifica a operação de financiamento à Artlant, empresa criada para o projeto da fábrica da La Seda em Sines, como uma das mais danosas para o banco publico: O total de crédito concedido à Artlant foi de 381 milhões de euros e em 2015 a exposição da CGD a este projeto era de 351 milhões.

Feria de Oliveira nega as acusações do empresário Matos Gil, representante da Imatosgil, que afirmou que o ex-responsável sabia das irregularidades na La Seda, mas não queria "fazer ondas" para não motivar conflitos com a região autónoma da Catalunha.

Ouvido na comissão de inquérito à CGD, Matos Gil disse ainda que com a chegada de Faria de Oliveira à administração da CGD o banco público mudou de estratégia em relação à participação portuguesa no projeto. "Não houve alteração nenhuma", garante o ex-presidente do Conselho de Administração da Caixa. "O que houve foi um ato de gestão para evitar que a Caixa fosse obrigada fazer uma OPA à La Seda".

"A minha maior preocupação era que fossemos obrigados a fazer uma OPA", reforçou por várias vezes, defendendo que a saída do capital social do La Seda foi um ato de gestão "responsável" e que que não esteve relacionado com pressões por parte da empresa espanhola junto da CGD e do grupo Imatosgil.

"A pretensão de trazer para Portugal este projeto parece-me lógica e racional", argumenta Faria de Oliveira. "Do meu ponto de vista fazia sentido."

Faria de Oliveira diz que a importância do negócio com a La Seda inquestionável. Para Portugal e para os portugueses "ainda bem que ele se concretizou".

A deputada centrista Cecília Meireles diz que isso não está em questão, mas sim saber o que se podia ter feito para gastar menos dinheiro. Faria de Oliveira lembra que os problemas do projeto só se tornaram evidentes mais tarde, e durante tempos difíceis: "vivíamos a maior crise económica de sempre".

"A La Seda nessa altura era uma empresa bastante reputada, disputada por todos os bancos", nota. Vários bancos de peso de vários países financiaram a Artland, lembra, "incluindo o nosso BCP."

"As coisas correram mal por causa da recessão", defende.

Faria de Oliveira é ouvido esta segunda-feira pela segunda vez na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da CGD e à Gestão do Banco. No dia 3 de abril assegurou que o Banco de Portugal tinha conhecimento de todas as irregularidades detetadas pela auditoria da EY à Caixa Geral de Depósitos.

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