"Finalmente, a Europa ganhou consciência que tem de ser autónoma da Rússia" na energia

António Costa afirma que o gasoduto que liga a Península Ibérica à Europa Central terá "um enorme potencial de fornecimento de energia", dando aos europeus capacidade para produzir "os seus próprios gases".

António Costa afirmou, esta sexta-feira, que o gasoduto que liga a Península Ibérica à Europa Central mostra que, "finalmente, a Europa ganhou consciência que tem de ser autónoma da Rússia" no que toca à energia, produzindo "os seus próprios gases", como é o exemplo do hidrogénio verde.

"Do nosso lado, as coisas têm vindo a avançar, de Espanha também. A Comissão Europeia já colocou em cima da mesa que, caso não seja possível ultrapassar o bloqueio com a França, o pipeline possa ter uma ligação direta de Espanha para Itália, de forma a chegar ao Centro da Europa. No entretanto, o pipeline não está construído amanhã, estudámos e já apresentamos ao governo alemão, ao governo polaco e à Comissão Europeia, a oportunidade da utilização do nosso porto de Sines como uma plataforma logística que acelere a distribuição de gás natural, por via marítima, para os portos do Norte e do Centro da Europa", explicou, em declarações aos jornalistas à margem de uma visita a uma creche na Amadora.

O primeiro-ministro defendeu que a Península Ibérica terá, desta forma, "um enorme potencial de fornecimento de energia, sendo interface e porta de entrada do gás natural que provém do outro lado do Atlântico, e substituindo grande parte do gás que a Europa central importa".

Despacho sobre Endesa? "Não, não é nada discriminatório"

O primeiro-ministro comentou ainda sobre a polémica com a Endesa, recusando ter exercido discriminação sobre a empresa. Costa afirmou que o presidente da Endesa proferiu "uma coisa falsa" sobre o mercado ibérico, o que exigiu uma "particular cautela relativamente a esse operador".

Questionado se, ao assinar o despacho sobre a Endesa, estava a discriminar aquela empresa, o chefe do Governo respondeu: "Não, não é nada discriminatório. (...) Como todos nós ouvimos, o presidente dessa empresa anunciou que os preços iriam subir 40% e disse uma coisa falsa, é que esse aumento resultava da existência do mercado ibérico, e toda a gente sabe que é mentira e, portanto, isso exigia uma particular cautela relativamente a esse operador."

Costa sublinhou que "o Estado verifica obviamente todas as faturas", reiterando que, no caso específico da Endesa, "porque havia aparentemente um erro na compreensão de como é que funcionava o mecanismo [ibérico] por parte dessa empresa, era essencial que houvesse um controlo técnico e não meramente financeiro da fatura".

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