FMI pede gastos públicos de seis mil milhões até 2022 para combater a crise

Fundo Monetário Internacional sugere apoios públicos de 3% do PIB até ao fim de 2022. Impacto no PIB pode ser de 2 pontos. Em Portugal isso significa repetir a despesa de 2020 neste ano e no próximo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) sugere que até ao final de 2022 os países gastem 3% do PIB em medidas de apoio à recuperação económica. Os especialistas da instituição calculam que a medida pode ter um impacto positivo de dois pontos percentuais no crescimento económico.

A sugestão consta da atualização do relatório de perspetivas para a Europa, no qual o FMI não menciona Portugal de forma explícita. Mas a conta não é complicada: sabendo que o PIB nacional atingiu 202 mil milhões de euros em 2020, a ideia do FMI resulta em mais de 6 mil milhões de euros de apoios concedidos ao longo deste ano e do próximo.

Sabendo também que em 2020 os gastos públicos com a pandemia ultrapassaram 3 mil milhões de euros, conclui-se que no caso de Portugal, a sugestão da instituição liderada por Kristalina Georgieva significa manter ao longo de 2021 e 2022, o nível de despesa pública de 2020.

Nos próximos anos Portugal deverá receber de Bruxelas cerca de 14 mil milhões de euros a fundo perdido no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência.

Os técnicos do Fundo entendem que existem "benefícios potenciais em redistribuir uma fatia maior do apoio orçamental de emergência para medidas que acelerem a recuperação", mas lembram que depois teria de haver uma consolidação orçamental mais forte.

Os economistas do FMI analisaram os efeitos de um pacote orçamental que inclua novas ajudas a famílias, apoios à contratação para reintegrar desempregados de forma mais rápida, créditos fiscais temporários ao investimento e sistemas de capitalização de empresas viáveis.

"Esse apoio adicional de 3 por cento do PIB ao longo de 2021 e 2022 poderia elevar o PIB em cerca de 2 por cento até o final de 2022", lê-se no documento.

Olhando para o pós-pandemia, o FMI avisa que "à medida que a economia evolui para uma nova normalidade, as decisões políticas precisarão cada vez mais de reorientar-se para enfrentar desafios estruturais que já existiam e foram agravados pela crise, e construir uma economia mais verde, mais igualitária e mais digital".

O fundo entende que "os recursos orçamentais que suportaram o apoio temporário devem ser redistribuídos para acelerar o investimento em infraestrutura, especialmente em tecnologias digitais e verdes".

Quando a retoma for sólida, os governos devem "reverter os défices das contas públicas, [...] que devem diminuir à medida que a economia recupera".

A economia europeia deverá recuperar 4,5% neste ano, e regressar a níveis pré-pandemia em 2022, mas os especialistas avisam que no curto prazo os riscos podem inclinar o plano do jogo económico para baixo: "os riscos negativos parecem ser superiores aos positivos no curto prazo", escrevem, acrescentando que os maiores são as novas variantes do vírus e atrasos nos planos de vacinação. (Este relatório foi escrito antes da Johnson & Johnson anunciar a suspensão da entrega de vacinas na Europa - Portugal incluído - e dos Estados Unidos interromperem a administração do fármaco depois de serem detetados casos de coágulos que levaram a uma morte).

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