Fundação AEP lança "laboratório de ideias" para elaborar manifesto sobre o futuro do país

À TSF, Luís Miguel Ribeiro adianta que um dos pontos em cima da mesa é o desenvolvimento dos territórios.

A Associação Empresarial de Portugal criou um "laboratório de ideias" para refletir sobre o futuro do país e apresentar um manifesto com soluções em áreas como a demografia, clima, energia, digitalização ou descentralização.

Segundo avançou à agência Lusa fonte oficial da AEP, o movimento 'Think Tank Portugal por Inteiro/Territórios de Futuro' "tem em mãos a construção de um manifesto onde se defende que o futuro passa pelos territórios e os territórios são o cerne de uma visão de futuro (e de esperança) para Portugal".

Ouvido pela TSF, Luís Miguel Ribeiro, presidente da AEP, explica que se trata de um laboratório de ideias para discutir os caminhos que o país deve seguir nas próximas décadas, com os territórios como ponto de partida.

"Pretendemos refletir com pessoas de diferentes setores, empresários, académicos, dirigentes associativos e personalidades da sociedade civil o que queremos para Portugal no horizonte de duas décadas", refere, sublinhando que "cada vez mais percebemos que, em termos internos e da coesão territorial, há um caminho longo a fazer".

"Temos cada vez mais desequilíbrios em termos internos naquilo que é o desenvolvimento dos territórios, com tudo o que isso implica: a desertificação do interior e cada vez uma massificação maior de alguns territórios no litoral", considera.

"É um laboratório de ideias com a missão de promover uma reflexão prospetiva e estratégica sobre os problemas estruturais do país e desenhar um caminho de futuro que aposta nos territórios como motor de desenvolvimento", explicou.

Reunindo académicos, empresários, profissionais liberais, dirigentes associativos e diversas personalidades da sociedade civil -- de quem se esperam "contributos para um conjunto de propostas temáticas e cenários prospetivos, capazes de enriquecer e influenciar a dimensão territorial das políticas públicas" - esta reflexão arranca já na quinta-feira com uma conferência intitulada 'Os territórios e as pessoas', que terá como convidado o ex-ministro Luís Valente de Oliveira.

"Que Portugal podemos (e queremos) ter num horizonte de duas a três décadas? A resposta terá de ser dada através da reflexão conjunta sobre cenários prospetivos onde terá de caber Portugal por Inteiro, onde os territórios entram e contam sempre", destaca a AEP, salientando que "a discussão estará centrada num Portugal inclusivo com os seus diferentes territórios, valorizando a sua diversidade e complementaridade, as suas especificidades e idiossincrasias, os seus equilíbrios e as suas assimetrias".

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Fundação AEP admite que "a tarefa é árdua, difícil e incerta".

"Será necessário evoluir para um patamar onde devem estar assentes três premissas fundamentais: um horizonte de médio prazo (20 a 30 anos), uma análise retrospetiva e sistemática dos problemas e bloqueios estruturais do país e, por último, a capacidade de incorporar todos os desafios e oportunidades geradas pelas grandes mutações da sociedade do ponto de vista climático, tecnológico, demográfico e energético", refere Luís Miguel Ribeiro.

Já o diretor executivo do projeto 'Portugal por Inteiro' salienta que o objetivo é "pensar o futuro do país e dos seus territórios fora da bolha centralista e tecnocrática e fora da caixa das ideias feitas e das soluções 'pronto-a-vestir'".

"A complexidade dos problemas e a natureza disruptiva dos desafios que temos pela frente exigem muito mais do que as velhas e gastas receitas, marcadas pelo fatalismo das inevitabilidades, ou das soluções universais e mágicas do racionalismo tecnocrático", considera Luís Leite Ramos.

"Para enfrentar novos problemas e desafios precisamos de abordagens e soluções inovadoras, mas também de novos modelos de decisão e governança e, sobretudo, de novos intervenientes. Precisamos de uma (nova) polifonia de sensibilidades, de perspetivas e até de interesses que emanem dos diferentes setores da sociedade e dos diferentes territórios, garantindo um distanciamento saudável aos centros do poder e aos aparelhos administrativos e aos seus referenciais monolíticos e narrativas oficiais", acrescenta.

Segundo Luís Ramos, o projeto é, assim, "um processo que vai percorrer o país, continente e ilhas", no âmbito do qual "vão sendo produzidos documentos com o que se recolher e for sendo desenvolvido pelas universidades".

"Mais do que imaginar, é conceber o que nos espera nos próximos 30 anos. Mais do que um manifesto, pretendem-se construir soluções para os problemas que o país vai enfrentar nas próximas décadas", enfatizou.

A agenda do projeto 'Think Tank Portugal por Inteiro/Territórios de Futuro' prevê a realização de várias conferências dedicadas a temas específicos, a primeira das quais esta quinta-feira, na Fundação de Serralves, com Valente de Oliveira, e duas outras já agendadas para o próximo mês de novembro e para janeiro de 2023.

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