"Ganho cerca de 240 euros por mês. Passo a vida a assinar contratos"
Agenda do Trabalho Digno

"Ganho cerca de 240 euros por mês. Passo a vida a assinar contratos"

'Ana' prefere utilizar um nome fictício, tem 50 anos e há 11 que trabalha na cantina de uma escola primária. Diz que já perdeu a conta aos contratos de trabalho que assinou. Há cerca de duas semanas, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que "cerca de 10% de quem declara rendimentos do trabalho está abaixo do limiar de pobreza". No dia em que o governo começa a debater a agenda para o trabalho digno, a TSF dá a conhecer o caso de uma trabalhadora que já perdeu a conta aos contratos temporários de trabalho que assinou e que ganha pouco mais de duzentos euros por mês.

Antes da pandemia, "Ana" era funcionária da Eurest e cumpria duas horas de serviço por dia. Agora foi integrada numa empresa de trabalho temporário. O horário é das 11h00 às 14h00.

"Cada vez que começa uma etapa da escola eu assino um contrato até ao final do período. Depois começa outro período e assino outro contrato e é sempre assim. Estive dois anos de baixa e este ano, quando regressei, pensei que ia para a empresa, mas disseram-me que ia ficar na Multipessoal (empresa de trabalho temporário) e eu claro, como temos de ganhar dinheiro, aceitei. Agora estou sempre a assinar contratos, passo a vida nisto."

Ana, como quer ser identificada, recebe pouco mais de duzentos euros. "Eles depositam-me no banco pouco mais de 230 euros, é mais para sobreviver. Se não tivesse o meu marido para ajudar a pagar a casa, a trabalhar, que trabalha muito, mas ganha... Eu acho que é pouco o que ganhamos aqui, por hora ganho três euros e qualquer coisa."

"Ana" trabalha desde os 12 anos. "Se arranjar uma coisa melhor mudo, mas eu preciso trabalhar para um dia mais tarde ter a reforma, assim pelo menos vou tendo alguns descontos. Além do trabalho na cantina, faço umas horitas em algum lado, para ver se consigo algum dinheiro a mais para as despesas."

Apesar das dificuldades gosta do que faz, mas queria ver o trabalho ser reconhecido. "Acho que não somos valorizados pelo que fazemos. Deviam vir para as cantinas, para os cafés, para verem o trabalho que dá."

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