Greve dos trabalhadores dos CTT arranca com adesão de 92% em Lisboa

A greve vai decorrer até sábado e abrange os trabalhadores dos CTT Expresso e dos CTT - Correios de Portugal. Em causa está, entre outras reivindicações, o pagamento do subsídio de alimentação em cartão de refeição.

A greve dos trabalhadores dos CTT contra o pagamento do subsídio de alimentação em cartão de refeição arrancou esta sexta-feira às 00h00, com uma adesão inicial na central de Lisboa de 92%, afirmou fonte sindical.

"A adesão é de 92%, em 100 trabalhadores que estavam escalados houve oito colaboradores que furaram a greve", disse o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), Victor Narciso, aos 40 trabalhadores dos CTT que estavam concentrados nas traseiras da Estação de Cabo Ruivo, em Lisboa.

O dirigente sindical explicou à agência Lusa que esta percentagem inicial diz respeito apenas a esta central dos CTT, a única a funcionar neste momento, e ao turno da noite para tratamento e transporte.

Victor Narciso sublinhou que era necessário "recuar uns bons anos" para encontrar "uma adesão [a uma greve dos funcionários dos CTT] com esta percentagem", considerando que "é um bom sinal para a luta" pelas reivindicações dos trabalhadores.

O sindicalista realçou que em greves anteriores a percentagem de adesão esteve entre 50% e 60%, mas mostrou-se convicto de que a adesão no resto do país será muito maior desta vez.

Em declarações à TSF, Vítor Narciso lembra que "a greve está decretada para quatro empresas do grupo CTT: a CTT expresso, payshop, CTT contactos e Correios de Portugal. Vai afetar todos os setores da empresa, como a distribuição e o atendimento."

Esta paralisação engloba a rede de distribuição postal (carteiros) e a rede de atendimento (Lojas CTT), porém não contempla a rede de Postos de Correio explorados por parceiros dos CTT, nem os agentes que prestam serviços de pagamento PayShop.

De acordo com o sindicato, os trabalhadores não aceitam a proposta de atribuição de um cartão de refeição como forma de pagamento do subsídio de alimentação, substituindo, assim, o pagamento no vencimento mensal por transferência bancária, como tem sido feito até ao momento.

Victor Narciso realçou que esta proposta foi a gota de água e que esta greve engloba também todas as outras reivindicações dos trabalhadores.

Houve "uma convergência para lutar pelas condições de trabalho, pelos salários, por uma série de questões além do cartão de refeição", explicou.

O sindicalista sublinha ainda que nos últimos dois meses os trabalhadores dos CTT nunca pararam, apesar da pandemia. Ainda assim, a crise económica obrigou a diminuir o número de pessoas por equipa, com mutos trabalhadores precários sem o vínculo renovado.

"Não podemos continuar a trabalhar assim. Não há trabalhadores em número suficiente, não renovaram o contrato aos trabalhadores precários e outros foram colocados de férias. Na distribuição, cada carteiro está a fazer vários serviços. No atendimento, os trabalhadores deslocam-se diariamente e, numa altura destas, há uma grande falta de higiene", adverte Vítor Narciso.

O sindicato também apresentou um segundo pré-aviso de greve para 12 de junho.

Centrais sindicais e partidos de esquerda apoiam grevistas

Os dirigentes da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans), José Manuel Oliveira, e da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-IN), Isabel Camarinha, também estiveram presentes no arranque da greve.

"Isto que a administração dos CTT tem vindo a fazer de imposição deste cartão de refeição que foi a mola que espoletou esta unidade entre os trabalhadores veio trazer à luz do dia as consequências que a privatização tiveram não só para os seus trabalhadores, mas também para os serviços que esta empresa faz no país", referiu a secretária-geral da CGTP.

Os deputados do PCP Bruno Dias e do BE Isabel Pires também se juntaram a estes trabalhadores para marcar o início do protesto.

Isabel Pires considerou que o cartão de refeição como nova modalidade para pagar o subsídio de alimentação é "prejudicial para os trabalhadores e apenas beneficia" a administração e é apenas mais um exemplo de uma empresa "que não tem qualquer pingo de respeito" com as funções exercidas.

Já o deputado comunista afirmou que "os trabalhadores dos Correios, quando fazem hoje esta luta, estão a lutar não só por si, mas também estão a lutar pelo país".

Os CTT alertaram que, "em caso de necessidade, os clientes poderão optar por um dos 1.830 postos de correio não abrangidos pela greve".

Segundo a empresa, a decisão de passar a pagar o subsídio de alimentação através de um cartão de refeição aos colaboradores que ainda não tinham optado por essa via, foi uma das várias medidas tomadas para fazer face à quebra de receitas e garantir a sustentabilidade da empresa.

Os CTT sublinharam que o cartão de refeição pode ser usado em qualquer estabelecimento de venda de produtos alimentares e "representa uma manifesta vantagem económica para todos: para a empresa, traduz uma forma lícita de diminuição substancial de custos; para os colaboradores, significa uma poupança média anual em sede de IRS, na ordem dos 100 euros".

A 21 de maio, a Associação Nacional dos Chefes de Estação dos Correios (ANCEC) manifestou a "sua discordância em relação à greve geral convocada por alguns sindicatos dos CTT", de acordo com um comunicado.

A Associação Nacional de Responsáveis de Distribuição (ANRED) dos CTT demarcou-se também da greve desta sexta-feira, uma vez que "não se revê" neste gesto de protesto, que é lesivo "dos interesses dos trabalhadores".

Notícia atualizada às 9h37

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