"Greves só existem como e quando o Governo quer." Motoristas cumprem requisição civil a 100%

O porta-voz do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas considera que a requisição civil não passa de uma "demonstração de força" por parte do Governo e garante que os trabalhadores vão cumprir apenas as oito horas de trabalho obrigatórias.

Todos os motoristas de matérias perigosas estão a trabalhar esta segunda-feira, no segundo dia de greve e primeiro em que funciona a requisição civil decretada na segunda-feira pelo Governo, garantiu o representante sindical destes trabalhadores.

"Estão 100% dos trabalhadores a trabalhar", afirmou o porta-voz do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques, em Aveiras de Cima, Lisboa, à porta da sede da CLC - Companhia Logística de Combustíveis.

O Governo decretou na segunda-feira uma requisição civil dos motoristas em greve para assegurar o abastecimento da Rede de Emergência, aeroportos, postos servidos pela refinaria de Sines e unidades autónomas de gás natural.

A decisão foi tomada em Conselho de Ministros, realizado à tarde, depois de os serviços mínimos terem deixado de ser cumpridos.

Pardal Henriques alega que todos os serviços mínimos foram garantidos ao longo do primeiro dia de greve e considera que esta decisão "foi uma manifestação de força" por parte do Governo. "As greves só existem como e quando o Governo quer", atirou.

"Neste momento, o que se passa é uma greve de zelo e o Governo é conivente", referiu Pardal Henriques, explicando que os motoristas não irão fazer horas extraordinárias, estando a cumprir as oito horas regulamentares de trabalho.

"Isto quer dizer que fazem cerca de metade das horas normais", portanto "é normal que os serviços mínimos representem metade do serviço normal", adiantou.

"Se é crime não prestar serviços durante uma requisição civil, também é crime trabalhar mais do que 200 horas anualmente, e estas pessoas já têm mais de 400 a 500 horas de trabalho anual", notou.

Ainda assim, Pardal Henriques considera que, "aos poucos, os postos de abastecimento vão ficar vazios".

Apesar de "esta manhã estar tudo a correr com normalidade", os militares da GNR continuam a escoltar os camiões-cisterna que saem dos vários locais para abastecer os postos, disse à Lusa uma fonte daquela instituição.

Os motoristas cumprem esta segunda-feira o segundo dia de uma greve marcada por tempo indeterminado e com o objetivo de reivindicar junto da ANTRAM o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

A greve foi convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), tendo-se também associado à paralisação o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN).

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