Hidrogénio Verde como "salvação da indústria portuguesa", defende o Governo

O secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, admite que os complexos industriais em Portugal morrerão se não mudarem de fonte de combustível.

O Gás Natural não pode, no futuro, alimentar as indústrias portuguesas e, por isso, "o hidrogénio é um instrumento de descarbonização que as empresas precisam desesperadamente", argumentou João Galamba, esta quarta-feira, numa conferência organizada pela Fundação AIP (Associação Industrial Portuguesa) dedicada a debater os novos modelos para a descarbonização nas cidades.

O governante responde aos críticos que "crime económico não é introduzir o hidrogénio", mas deixar as coisas como estão, porque "o complexo químico de Estarreja, ou descarboniza com hidrogénio, ou desaparece".

Galamba defende que os empresários já têm esta perceção e que, por outro lado, o hidrogénio irá servir de alavanca às centrais eléctrica renováveis "O hidrogénio é tornado possível por uma electrificação crescente, e a electrificação crescente beneficia da introdução do hidrogénio. Ou seja, há uma relação simbiótica quase perfeita entre os dois", argumenta.

Assim, "quando o preço da eletricidade sobe, [o investidor] ganha na venda de electricidade, e, quando o preço da eletricidade baixa, perde na venda da eletricidade, mas ganha na venda de hidrogénio, porque o hidrogénio se torna mais competitivo", sublinha João Galamba.

Para o secretário de Estado Adjunto e da Energia, "a integração perfeita entre investimentos em solar e hidrogénio é também um instrumento de viabilização a médio e longo prazo dos investimentos em solar de que nós precisamos para a eletrificação do pais".

Entretanto, o Ministério do Ambiente anunciou, esta quarta-feira, que celebrou um "memorando de entendimento" com a Holanda "para afirmar a sua intenção de ligar os planos de hidrogénio de Portugal e dos Países Baixos para 2030".

De acordo com um comunicado enviado para as redações, "o memorando prevê o desenvolvimento de uma cadeia de valor estratégica de exportação-importação, garantindo a produção e o transporte de hidrogénio verde de Portugal para os Países Baixos", isto através dos portos de Sines e de Roterdão.

Portugal apresentou, há um mês, a Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2), que prevê o investimento de 900 milhões de euros até 2030.

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