Impresa diz que apoio de 15 milhões de euros à comunicação social fica "aquém"

A empresa concorda, no entanto, com o modelo apresentado pelo Governo.

O presidente executivo da Impresa disse esta segunda-feira que o apoio do Estado de 15 milhões de euros fica "aquém das expectativas", mas disse concordar com o modelo, e garantiu que o grupo não vai recorrer a lay-off.

Francisco Pedro Balsemão falava aos jornalistas no final de uma audiência com o Presidente da República, que tem agendado encontros com os principais líderes de grupos de media sobre o impacto da pandemia de Covid-10 no setor.

Em 30 de abril, o Governo aprovou o decreto-lei que estabelece um regime excecional e temporário para a compra antecipada pelo Estado de publicidade institucional, no montante de 15 milhões de euros, para ajudar os media, face ao impacto da pandemia de Covid-19, o que o setor já considerou ser insuficiente.

Questionado sobre se os 15 milhões de euros são suficientes, o gestor recordou a posição já manifestada pela Plataforma de Media Privados (PMP), da qual a Impresa faz parte, que considerou a medida insuficiente.

"Estamos de acordo com o modelo, é um modelo não assistencialista", mas o valor "fica aquém das nossas expectativas", afirmou Francisco Pedro Balsemão.

"Tínhamos feito uma proposta que era superior a esta", disse, sem adiantar o montante.

"Portanto, agora temos de aguardar pelos critérios de repartição" definidas pelo Estado, acrescentou, apontando que no anúncio da medida o Governo disse que este apoio era "um passo e não seria o último passo".

"Temos a certeza que com o Estado, com os parceiros sociais, vamos conseguir cumprir com outros objetivos", salientou Francisco Pedro Balsemão.

Empresa não vai recorrer ao lay-off

Sobre se a Impresa admite recorrer a mecanismos como a suspensão temporária dos contratos, Francisco Pedro Balsemão afirmou: "Não vamos recorrer a lay-off".

"Estamos preocupados com o estado do setor da comunicação social, isto não é segredo para ninguém, é um setor que antes desta pandemia já sofria" e com o impacto da Covid-19 veio a "agravar-se", disse, referindo que essa preocupação foi manifestada ao Presidente da República.

No encontro, Francisco Pedro Balsemão disse que veio "também apresentar soluções", uma vez que o setor tem "uma grande dependência" em publicidade.

"Na realidade, apesar de nunca ter havido tanta audiência, tanta gente a ver televisão, a comprar jornais e ir aos nossos 'sites'" neste momento de pandemia, "a verdade é como o país e o mundo pararam, acaba por haver aqui uma grande dificuldade em haver investimento publicitário", prosseguiu.

As quebras de publicidade rondam entre os 50% a 60%, em Portugal e no mundo, e é preciso haver "soluções para isto", considerou.

"Todas as soluções que aqui vim apresentar são soluções em que nós não queremos o peixe, queremos é a rede para apanhar esse peixe, e esta é uma delas: o Estado está a investir em comunicação e nós aqui estamos a dar esse espaço para comunicar", referiu, aludindo aos apoios de compra de publicidade institucional antecipada.

Entre outras soluções para o setor, Francisco Pedro Balsemão defendeu o desagravamento de "algum tipo de temas fiscais, como é o caso dos anunciantes", pois tal poderá levar a mais investimento na publicidade, "a importância desta indústria ser vista como uma indústria, não só de atividade cultural e noticiosa como é, mas também como uma indústria em si mesmo", bem como incentivos à produção e à exportação.

Francisco Balsemão vê oportunidade para inovar

Apontou ainda que, "tendo em conta a oportunidade de reconstrução, convém acelerar o pensamento como setor e ao mesmo tempo aproveitar para acelerar a transformação digital", de forma a ir ao encontro dos hábitos dos consumidores.

"Temos também de ser proficientes no digital, devia haver apoios do Estado para o setor dos media para promover" essa aceleração digital, considerou Francisco Pedro Balsemão.

No encontro, também foi abordada a questão da VASP, distribuidora de títulos de imprensa, que para o gestor, é preciso "ter a certeza" que a empresa sobrevive, como também "cresce", além de temas mais globais como as relativas aos produtores de conteúdos e o papel dos media na cadeia de valor, que seja mais valorizado, bem como também a harmonização de regras sobre os gigantes globais "que se apropriam muitas vezes indevidamente dos investimentos publicitários", concluiu.

De acordo com a agenda, depois das audiências à RTP, Impresa e Media Capital, Marcelo Rebelo de Sousa recebe os presidentes da Cofina, Lusa e do grupo Renascença Multimédia.

Estas audiências acontecem depois de, na véspera do 25 de Abril, Marcelo Rebelo de Sousa ter recebido o Sindicato dos Jornalistas e associações representativas do setor, que traçaram o quadro do estado atual da crise da comunicação social, que se agravou na sequência do impacto da pandemia do novo coronavírus.

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