Afinal, Portugal não vai eliminar o défice em 2020. O alerta é da OCDE

Não será em 2020 que Portugal eliminará o défice, alerta a OCDE, que também reviu em baixa as previsões para o crescimento. Tensões entre os Estados Unidos e a China podem cortar 0,6% do PIB global.

A OCDE deixou de confiar que Portugal atinja contas públicas equilibradas em 2020. A previsão feita em fevereiro estimava um défice de 0,2% neste ano e um saldo positivo no próximo. No entanto, ambas as expectativas serão defraudadas.

Agora as estimativas da OCDE fazem prever que Portugal atinja um défice de 0,5% ainda em 2019, e 0,2% em 2020. Estas duas projeções são pessimistas em comparação com as do Governo, que quer alcançar 0,2% já em 2019, e um saldo positivo de 0,3 pontos percentuais em 2020.

Quanto ao crescimento, em vez de um aumento de 2,1% neste ano, a OCDE estima que Portugal suba 1,8%, e que mantenha os 1,9% previstos para 2020 pelo Executivo.

A desaceleração portuguesa não está sozinha, dado que haverá um abrandamento mundial. A instituição explica que as tensões comerciais entre Estados Unidos e China poderão abater 0,6% do PIB global.

Para Portugal, espera-se um abrandamento das exportações. Por isso mesmo, a OCDE pede mais abertura para aumentar a competitividade nos portos.

A OCDE destaca fatores internos como os responsáveis pela evolução económica recente do país, tais como as melhorias no mercado laboral, que deram um empurrão ao consumo privado.

A organização que se dedica aos cálculos da economia de mercado espera que as medidas orçamentais continuem a apoiar o crescimento nos próximos dois anos, e adivinha investimentos baseados sobretudo nos fundos europeus. A OCDE acredita que o ambiente empresarial continue a melhorar, depois do desendividamento iniciado durante a crise.

Não há relatório sem avisos, e a organização também os faz. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico alerta para que a necessidade de reformas para a melhoria da produtividade. Além disso, a instituição aconselha a que se promova maior concorrência nos portos, já que os contratos de concessão têm uma duração excessiva, o que impede a entrada de novas empresas.

A instituição deixa também alguns avisos relativos à conjuntura macroeconómica internacional: economias como a Espanha, a Alemanha ou o Reino Unido vão desacelerar e colocar pressão nas exportações lusas. A instituição sublinha também que as condições financeiras poderão apertar, podendo mais uma vez levar à subida do crédito mal parado nos bancos.

Nas previsões globais, a OCDE estima um abrandamento da economia mundial, que deverá crescer 3,2% neste ano, e destaca riscos como as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, que podem retirar 0,6% do PIB mundial num período de dois a três anos.

Para a zona euro, a organização melhorou a previsão de crescimento para 2019, para 1,2%, duas décimas acima da estimativa anterior.

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