Distribuição de fruta em risco. Agricultores avisam que só aguentam até sexta-feira

Em plena época de colheita do tomate, do pêssego e da pera-rocha, os agricultores avisam que os serviços mínimos vão deixar de ser suficientes para garantir a distribuição destes produtos.

Se a greve dos motoristas se prolongar, o trabalho de um ano inteiro pode ficar perdido num único dia. O aviso é deixado pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que aponta o setor da fruta como o mais problemático.

"Estes agricultores e estas culturas estão incluídos nos serviços prioritários. Mas só no Ribatejo, para o tomate, fazem-se mais de mil transportes por dia, o que envolve 600 camiões, portanto, é uma quantidade de combustível muito grande", explicou à TSF Luís Mira, secretário-geral da CAP.

"Todo o investimento de um ano pode ser perdido se os frutos não forem colhidos. Se tiver de se esperar mais uns dias, o tomate perde toda a sua qualidade", sublinhou.

Luís Mira mostra-se preocupado e avisa que a situação começará a tornar-se crítica a partir da próxima sexta-feira.

"Havia algum stock de combustível, mas como não está a haver reabastecimento, agora não se consegue resolver a situação", referiu. "Os próprios agricultores começam a entrar numa situação de desespero. Temo que as coisas se descontrolem um pouco."

O secretário-geral da CAP deixa, por isso, um apelo à sensatez de todas as partes envolvidas: "A greve já foi feita, já teve o seu impacto no país, portanto, agora apelava ao bom senso dos sindicatos e à ação do Governo para pôr fim a esta situação e para que o país volte à normalidade."

Portugal está, desde sábado e até às 23:59 de 21 de agosto, em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido a esta paralisação, o que permitiu a constituição de uma Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), com 54 postos prioritários e 320 de acesso público.

A greve que começou na segunda-feira, por tempo indeterminado, foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

Ao fim do primeiro dia de paralisação, o Governo decretou a requisição civil, alegando o incumprimento dos serviços mínimos.

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