Quem beneficia com estas "calúnias"? Joe Berardo

O ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, regressa esta terça-feira ao parlamento, depois da polémica em torno do reforço da Fundação Berardo no BCP através de um crédito de 350 milhões de euros da Caixa.

Vítor Constâncio regressa à II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e à Gestão do Banco depois de o jornal Público ter revelado documentos que indicam que o ex-governador do Banco de Portugal (BdP) "omitiu" informações aos deputados.

ASSISTA AQUI EM DIRETO À AUDIÇÃO DE VÍTOR CONSTÂNCIO

A 7 de junho, o jornal avançou que a operação de aumento de posição da Fundação José Berardo no BCP foi autorizada pela administração do Banco de Portugal, então governado por Vítor Constâncio, mesmo sabendo que as verbas necessárias para essa operação provinham de um crédito de 350 milhões de euros contraídos junto da CGD.

Nos dias seguintes, em várias entrevistas, textos de opinião e até nas redes sociais, Constâncio alegou que os deputados não lhe perguntaram nada sobre a autorização para o aumento de posição da Fundação José Berardo no BCP na audição de março, mas os grupos parlamentares querem tirar os pratos a limpo e pediram uma nova audição.

Logo na declaração inicial, Vítor Constâncio começa por apelidar estas notícias de "calúnias" que "só puderam parecer credíveis graças ao desconhecimento do funcionamento do BdP".

"Foi noticiado que tinha sido eu pessoalmente a tomar a decisão e não o Banco de Portugal", diz, lembrando que deliberações do BdP são decisões colegiais. "Toda a fulanização é errada."

Vítor Constâncio deixa também várias ressalvas: já não trabalha no Banco de Portugal, não tem "na cabeça bases de dados" nem levou consigo, para esta audição, quaisquer documentos do BdP. E uma resposta a todos os que acusaram de amnésia: "Nem eu nem a minha memória aos 75 anos podem estar aqui a ser julgados sobre matérias ocorridas há 12 ou 15 anos".

E ainda: "detesto teorias da conspiração", mas... Quem beneficia com estas notícias? "Servem uma pessoa: José Berardo", atira. "A quem interessa que se pense que o crédito não tinha quaisquer garantias", questiona.

Tinha conhecimento ou não? - a deputada centrista Cecília Meireles opta por fazer a pergunta o mais diretamente possível, para evitar que o ex-governador acuse a comissão de não lhe ter feito as perguntas certas. "Tive conhecimento da entrada do pedido [de Berardo] e tive conhecimento de que os serviços estavam a analisar e que parecia não haver razões legais para bloquear", responde.

Se o Banco de Portugal se tivesse oposto "à aquisição da participação qualificada" de Berardo no BCP estaria a colidir com o enquadramento jurídico vigente e "teria sido uma forma de não ser totalmente independente e neutro relativamente àquela matéria".

Confrontado com uma regra na lei que diz que o BdP pode, se tiver conhecimento prévio de uma má operação, emitir uma recomendação para que ela não aconteça, o governador disse que essa regra não se aplica no caso de Berardo, porque quando soube da operação esta já estava consumada.

"O Banco de Portugal não pode cancelar operações de crédito nem impor às instituições de crédito que giram o contrato de uma maneira ou de outra", referiu, afirmando que se "tivesse estado na Caixa, porventura não faria essa operação".

Então a supervisão é inútil, um mero espectador? Constâncio defende a instituição que representou: o BdP Pode intervir caso tenha conhecimento prévio de um projeto, mas esta operação estava assinada e "realizadíssima". O supervisor não podia ter ido para lá da lei, argumenta, apenas podia fazer o que fez, pedir o reforço de garantias.

Vítor Constâncio aconselha dos deputados a consultarem os atuais representantes do Banco de Portugal. "Eu já não ou nada."

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de