Da reversão da privatização da TAP à polémica atribuição de prémios

A empresa anunciou que tinha encerrado 2015 com um prejuízo de 156 milhões de euros, um cenário que se iria repetir durante os anos seguintes, com exceção de 2017, ano em que a TAP SGPS atingiu um lucro de 21,2 milhões de euros. Em 2018, a empresa regressou ao vermelho.

A reversão da privatização da TAP foi uma das bandeiras assumidas pelo atual Governo, inaugurando um período por vezes conturbado na companhia aérea, marcado por greves, problemas operacionais, mudança de gestão e uma polémica atribuição de prémios.

Mesmo antes de tomar posse como primeiro-ministro, em novembro de 2015, António Costa já tinha anunciado que não concordava com a privatização da TAP, decidida por Passos Coelho, no Governo anterior. E quando deu início à atual legislatura, o Executivo começou por encetar negociações com o consórcio Atlantic Gateway, de David Neeleman e Humberto Pedrosa, que tinha vencido o concurso para a privatização da companhia aérea, que era na altura liderada por Fernando Pinto.

Em agosto de 2016, a Autoridade da Concorrência (AdC) aprovou a operação de concentração na empresa, que ficou assim controlada maioritariamente pelo Estado, detendo 50% da companhia aérea. Antes disso, a TAP era controlada pelo consórcio Atlantic Gateway, que tinha adquirido 61% do capital.

Entretanto, a empresa anunciou que tinha encerrado 2015 com um prejuízo de 156 milhões de euros, um cenário que se iria repetir durante os anos seguintes, com exceção de 2017, ano em que a TAP SGPS atingiu um lucro de 21,2 milhões de euros. Em 2018, a empresa regressou ao vermelho, com prejuízos de 118 milhões de euros.

A contribuir para estes resultados, segundo reconheceu Miguel Frasquilho, atual presidente do Conselho de Administração da TAP, estiveram problemas operacionais, que reduziram a pontualidade da companhia aérea, complicados por greves e cancelamentos, que levaram ao pagamento de indemnizações de vários milhões de euros.

Foi no primeiro semestre do ano passado que se agravaram as questões operacionais, com falta de pessoal e protestos dos trabalhadores, que foram complicando a pontualidade e geraram uma vaga de cancelamentos que se tornou num assunto em debate pelos poderes políticos do país.

A companhia aérea apontou ainda o dedo aos constrangimentos de operação no aeroporto de Lisboa, com uma média de 37 voos atrasados por dia, entre 28 de agosto a 11 de setembro do ano passado, revelou o novo presidente executivo da empresa, Antonoaldo Neves.

No início do ano passado, aliás, concluiu-se um ciclo na TAP, com a saída de Fernando Pinto da presidência executiva da companhia aérea e a sua substituição por Antonoaldo Neves.

O novo líder levou a cabo uma negociação complexa do acordo de empresa para várias categorias de funcionários, iniciou um programa alargado de contratações e de aquisição de novos aviões para a companhia aérea, com 71 aviões previstos até 2025 e que já começaram a ser entregues.

Os níveis de pontualidade melhoraram e a empresa subiu ao 53.º lugar do 'ranking' da pontualidade da empresa de estatísticas OAG em fevereiro deste ano, face à 83.ª posição que registava no mesmo mês de 2018.

Ainda assim, Antonoaldo Neves não ficou imune a polémicas. Em junho deste ano, a companhia aérea pagou prémios de 1,171 milhões de euros a 180 pessoas, incluindo dois de 110 mil euros atribuídos a dois quadros superiores.

Em causa estão valores que foram pagos com o salário de maio destes colaboradores e que oscilam entre os 110 mil e pouco mais de mil euros, depois de a companhia aérea ter registado prejuízos de 118 milhões de euros.

A Comissão Executiva da TAP justificou a atribuição dos prémios com o "programa de mérito" implementado pela companhia, que diz ter sido "fundamental" para os resultados atingidos em 2018, mas o assunto acabou por gerar polémica, não só entre os sindicatos da empresa, mas também com o Governo.

O Ministério das Infraestruturas e da Habitação, liderado por Pedro Nuno Santos, falou mesmo em "quebra de confiança entre a Comissão Executiva e o maior acionista da TAP, o Estado português".

O Ministério acrescentou que o Governo e os representantes do Estado no Conselho de Administração da TAP tomaram conhecimento da decisão, "já consumada com o processamento dos salários referentes ao mês de maio, pelos órgãos de comunicação social".

Mais recentemente, a TAP tem sido confrontada com relatos de náuseas nas tripulações e passageiros do A330neo, um dos novos aviões que estão já a fazer as rotas da companhia aérea.

A Airbus já garantiu, numa carta enviada à TAP, que não existe qualquer correlação entre os cheiros estranhos que têm sido detetados nos novos aviões A330 Neo e os sintomas de desconforto na tripulação.

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