Governo espera que greve dos mestres da Soflusa seja suspensa após acordo

Suspensão da greve ainda não está decidida e compete aos trabalhadores.

O Governo manifestou-se, esta quarta-feira, expectante em relação à suspensão da greve dos mestres da Soflusa, empresa de transporte fluvial entre Barreiro e Lisboa, após ter chegado a um acordo com os sindicatos representativos dos trabalhadores.

"A expectativa é que, estando esgotadas as razões da greve, até ao fim do dia possamos ter uma notícia de suspensão da greve", afirmou o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, em declarações à agência Lusa, depois de uma reunião de última hora com sindicatos dos trabalhadores da Soflusa, no Terminal Fluvial do Cais do Sodré, em Lisboa.

De acordo com o governante, a suspensão da greve não ficou já decidida, porque "compete aos trabalhadores", ou seja, "é preciso consultar os mestres" da Soflusa.

Em causa está uma greve dos mestres da Soflusa, pela contratação de novos profissionais, que se prevê parcial, de três horas por turno, a partir de quinta-feira e que se estende até sexta-feira, implicando perturbações no serviço de transporte fluvial entre Barreiro e Lisboa.

No âmbito da reunião entre o secretário de Estado e os sindicatos dos trabalhadores, foram abordadas as matérias laborais transversais à empresa e as matérias que são objeto do pré-aviso de greve dos mestres da Soflusa, o que resultou num acordo em relação a três matérias, designadamente regulamento de carreiras, negociações salariais e contratação de pessoal.

"Acordámos com todos os sindicatos, numa ata que todos subscreveram", declarou o governante José Mendes.

Em relação ao regulamento de carreiras, o Governo decidiu marcar uma nova reunião para a próxima semana, com o objetivo de "fazer um ponto de situação e fechar aspetos que falta fechar" com os sindicatos dos trabalhadores da Soflusa.

No que diz respeito às negociações salariais, nos termos do acordo celebrado em 2018 e que previa a revalorização retributiva até ao final deste ano, o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade comprometeu-se a "iniciar já a partir de julho uma calendarização da negociação até ao final do ano", no sentido de fechar as matérias salariais, que são objeto de algumas reivindicações, para que entrem em vigor no início do ano de 2020.

Relativamente à contratação de pessoal, o governante deixou a promessa de "reforçar os recursos humanos na Soflusa, portanto na área marítima, de forma a contratar até seis novos recursos", a que acrescem os quatro contratados recentemente e que deram origem a abertura de um concurso interno para quatro mestres para os navios que asseguram o transporte fluvial entre Barreiro e Lisboa.

"No total, este ano teremos um reforço de 10 pessoas", avançou José Mendes, considerando que, "no total, satisfazem plenamente" as necessidades da empresa, uma vez que, atualmente, existem 21 mestres na Soflusa.

Neste momento, os mestres da empresa já se encontram a fazer uma greve às horas extraordinárias, até 31 de dezembro, devido à "falta de profissionais", no entanto, decidiram levar o movimento mais longe e paralisar na quinta-feira e na sexta-feira, disse na terça-feira à Lusa Carlos Costa, da Fectrans - Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações.

De acordo com o responsável, atualmente apenas trabalham 21 mestres na Soflusa (dos quais três estão de baixa médica), mas são necessários 24, além de se ter verificado um maior "saturamento" da classe, depois de a empresa introduzir uma nova escala de serviços, em abril, com a implementação do passe Navegante.

Em 10 de maio, as ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa começaram a ser suprimidas pela falta de mestres, o que levou a empresa a anunciar, quatro dias depois, não conseguir prever quando iria repor o serviço.

Nessa ocasião, a Soflusa adiantou, numa resposta por escrito à Lusa, que abriu concurso para as vagas de mestres e "aguarda, a todo o momento, a autorização para contratação de mais trabalh A Soflusa é responsável por fazer a ligação entre o Barreiro e Lisboa, enquanto a Transtejo, que faz parte do mesmo grupo, assegura as ligações fluviais entre o Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão e Lisboa.

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