"Nunca passou pela cabeça de ninguém" fazer a indexação das obras de Berardo

O ex-administrador da Caixa, Jorge Tomé, explicou aos deputados da comissão de inquérito do banco público que a indexação das obras de arte a associação de Berardo foi além do "normal".

O ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos Jorge Tomé disse no parlamento que indexar os títulos da Associação Coleção Berardo às obras de arte "foi uma construção para além do que seria normal".

Jorge Tomé afirmou que o empresário José Berardo "foi sempre considerado pelos bancos um bom risco", já que tinha "um historial de empresário, com um estilo muito próprio, com obra feita e capacidade financeira", para além de ter sido condecorado em Portugal e ter "uma comenda do Estado francês".

Por isso, "nunca passou pela cabeça de ninguém" ter de fazer a indexação, disse o ex-administrador da CGD durante a comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão do banco.

Jorge Tomé acrescentou que, se "o risco moral" associado a Berardo "se tivesse mantido, mesmo sem indexação os credores deviam ter direito a ficar com a associação e com o património da associação".

Anteriormente, em referência ao alegado aumento de capital da Associação Coleção Berardo em que os bancos credores não participaram, Jorge Tomé tinha dito que, "se o mutuário quer agir de má fé ou quer fazer fraudes", é uma situação "incontrolável por qualquer credor".

"É um risco moral que vai mudando. Era um risco moral muito bom, e depois deixou de ser muito bom e passou a ser muito mau", declarou Jorge Tomé.

Na sua audição de 10 de maio, o empresário conhecido como Joe Berardo deu a entender que os títulos de participação da Associação Coleção Berardo (a dona das obras de arte) que entregou aos bancos para reforçar as garantias dos empréstimos perderam valor com um aumento de capital em que as entidades financeiras não participaram, aparentemente porque não souberam que existiu.

Joe Berardo esclareceu também que a garantia dada à CGD são os títulos da Associação Coleção Berardo, e não das obras de arte em si.

"O que os bancos têm são os títulos da associação, sempre souberam isso", disse o empresário, acrescentando que não sabe "como é que [os bancos] fizeram a valorização dos títulos" da instituição.

Berardo disse também que atualmente, se quisesse, podia vender os quadros expostos no CCB porque, ao contrário do primeiro contrato para exposição ao público, no atual não há preferência do Estado português em adquirir as obras de arte.

Sobre as 16 obras que Berardo quis vender para fora do país no ano passado, Berardo esclareceu que isso foi só "para testar", considerando que não há qualquer impedimento.

Na quinta-feira, o ex-administrador da CGD Norberto Rosa afirmou que se o Estado exercesse a opção de compra da Coleção Berardo, "o produto dessa opção [...] reverteria para as respetivas instituições" credoras, ou seja, os bancos.

Continuar a ler

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de