"Nem sei onde é a entrada principal." Joaquim Barroca garante que nunca entrou na CGD

O ex-administrador do grupo Lena Joaquim Barroca afirmou ainda nunca ter discutido a expansão da construtora com o ex-primeiro-ministro José Sócrates.

O ex-administrador do grupo Lena, Joaquim Barroca, disse, esta quinta-feira, no Parlamento que "nunca" entrou na Caixa Geral de Depósitos (CGD), e que nunca teve responsabilidades financeiras na construtora.

"Nunca entrei na Caixa. Nem sei onde é a entrada principal", disse Joaquim Barroca aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito à recapitalização e gestão do banco.

Em 2007, o grupo Lena comprou a construtora Abrantina, que, de acordo com Joaquim Barroca, dava ao grupo "um conjunto de alvarás para concorrer a umas obras em alta".

Barroca justificou a compra da Abrantina com o facto de o grupo Lena precisar "de encontrar alvarás novos", de forma a criar "sinergias" para "os grandes concursos que se anunciavam".

"Abordámos a Abrantina porque era uma das empresas que estava à venda", garantiu Joaquim Barroca, explicando que a dívida herdada da Abrantina seria paga ao "trabalhar para resultados".

A dívida da Abrantina à CGD passou para o grupo Lena através da sociedade Always Special, que, de acordo com o relatório da EY, tinha uma exposição de 44 milhões de euros ao banco público em 2015.

No entanto, Joaquim Barroca explicou que a dívida da Abrantina eram "créditos mortos", já dados como perdidos e imparizados pela CGD, e que ao passar para o grupo Lena através da Always Special se transformaram em "créditos vivos".

Os créditos "ficariam como receita extraordinária" para a Caixa, e, por isso "não foi difícil" ao banco aceitar o acordo com o grupo Lena, disse Barroca.

"A Lena nunca abordou ninguém para negociar com a Caixa diretamente, herdou isso da situação da Abrantina", clarificou o ex-administrador do grupo construtor.

Joaquim Barroca disse ainda que não sabia dizer qual o valor da dívida da Abrantina, mas que "era muita" e "monstruosa" e que o grupo Lena, hoje NOV, "tem andado a pagá-la".

Conversas com Sócrates? Jamais

Barroca assegurou também que nunca discutiu a expansão da construtora com o ex-primeiro-ministro José Sócrates. "Nunca, jamais", respondeu Joaquim Barroca à questão levantada por Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda.

A deputada perguntou também a Joaquim Barroca se conhecia Armando Vara, ex-administrador da CGD condenado por tráfico de influências, tendo o ex-administrador do grupo Lena respondido que não.

"Não conheço Armando Vara. Estive uma vez com ele", precisou Joaquim Barroca, acrescentando que o encontrou "num almoço ou jantar" não convocado por si, e que foi a "única" vez que o encontrou.

Questionado sobre se alguma vez fez alguma transferência para Armando Vara, o ex-administrador do grupo Lena indicou que, devido ao processo Marquês, se reservava ao direito de não responder à pergunta.

Apesar de ter dito anteriormente ao deputado do PCP Duarte Alves que não falava sobre Vale do Lobo, quando questionado por Mariana Mortágua sobre se conhecia o ex-presidente do empreendimento Diogo Gaspar Ferreira, Joaquim Barroca respondeu de forma idêntica.

"Falei com ele uma ou duas vezes, mas em contexto de comprar lotes [no empreendimento] não", esclareceu Joaquim Barroca, acrescentando que "nunca teria dinheiro para comprar nada em Vale do Lobo".

Joaquim Barroca disse ainda que Hélder Bataglia não é uma pessoa da sua confiança e que teve contas na Suíça até 2012.

Joaquim Barroca é um dos 28 arguidos na Operação Marquês, em que estão envolvidos também Carlos Santos Silva, Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Armando Vara, Bárbara Vara, Helder Bataglia, Rui Mão de Ferro e Gonçalo Ferreira, empresas do grupo Lena (Lena SGPS, LEC SGPS e LEC SA) e a sociedade Vale do Lobo Resort Turísticos de Luxo.

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