Juncker diz que não se deve esperar pela próxima crise para fazer o que é preciso

O presidente da Comissão Europeia considera que o Banco Central Europeu não pode defender a moeda única sozinho.

O presidente da Comissão Europeia afirmou esta quarta-feira, em Sintra, que os líderes europeus não devem esperar pela próxima crise para fazer o que é necessário e destacou que o Banco Central Europeu não pode defender o euro sozinho.

"Não devemos esperar pela próxima crise para fazer o que sabemos que temos de fazer", afirmou Jean-Claude Juncker, ao discursar no início dos trabalhos do terceiro e último dia do Fórum do Banco Central Europeu (BCE), que decorre em Sintra.

"Para nossa própria soberania", destacou, é necessário pensar novamente o papel estratégico que as moedas desempenham atualmente no mundo. "E é por isso que a Comissão definiu uma nova agenda para reforçar o papel internacional do euro", acrescentou.

Jean-Claude Juncker afirmou também que "a União Económica e Monetária da Europa está mais robusta do que nunca, mas ainda há muito mais a fazer" e é preciso completá-la para apoiar a moeda única, um trabalho que, frisou, "o BCE não pode fazer sozinho".

"Precisamos de uma garantia de depósitos comum para completar a união bancária; precisamos de regras orçamentais mais simples e de uma função de estabilização para a zona euro e precisamos de construir um Tesouro comum e desenvolver um ativo seguro para a zona euro ao longo do tempo", enumerou o presidente da Comissão Europeia.

Na sua intervenção, Jean-Claude Juncker frisou também que "o euro requer determinação e merece líderes determinados", que "são mais fortes que qualquer mercado", e recordou o verão de 2012, no mês de julho, quando Mario Draghi afirmou que o BCE faria tudo o que fosse preciso para salvar o euro.

"A sua calma e confiança não só acalmaram os mercados como também me salvaram - o presidente do Eurogrupo na altura - de muitas noites sem dormir", contou Jean-Claude Juncker perante a plateia do Fórum do BCE, em Sintra.

O presidente da Comissão Europeia disse saber que não é suposto comentar a política do BCE, mas acrescentou: "Permita-me dizer o quanto estou feliz por você [Mario Draghi] lá ter estado".

A sexta edição do Fórum do BCE e último com Mario Draghi na liderança começou na segunda-feira, em Sintra, e termina esta quarta-feira, sob o mote dos 20 anos da zona euro.

O evento reúne governadores dos bancos centrais, académicos, decisores políticos e especialistas do mercado financeiro para trocar perspetivas sobre as principais questões de política monetária.

O mandato de Draghi termina a 31 de outubro e os nomes mais referidos para lhe suceder incluem o governador do Banco de França, François Villeroy de Galhau, o membro da Comissão Executiva do BCE, Benoît Coeuré, o governador do Banco da Finlândia, Olli Rehn, e o seu antecessor Erkki Liikanen, e o presidente do Bundesbank (o banco central alemão), Jens Weidmann.

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