"Não temo ser acusado." Pardal Henriques nega incitar motoristas à desobediência

O advogado do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas, Pardal Henriques, defende que não está a incitar os motoristas em greve a desobedecer à requisição civil decretada pelo Governo.

O porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques, garantiu não temer ser acusado de incitamento à desobediência à requisição civil, uma vez que, segundo o próprio, está apenas a "dar voz" à posição dos motoristas.

"Não temo nada porque eu não incitei a nada. A minha função aqui é representar estas pessoas e dar-lhes voz. Aquilo que estou a transmitir é a voz destas pessoas", declarou Pedro Pardal Henriques, ouvido pelos jornalistas, na Companhia Logística de Combustíveis, em Aveiras de Cima.

Esta manhã, o porta-voz do sindicato anunciou que os motoristas iriam deixar de cumprir os serviços mínimos, em solidariedade com os colegas, depois de o Governo ter revelado, na última noite, que 14 trabalhadores estariam a ser notificados por não terem cumprido a requisição civil.

No entanto, a TSF confirmou que, continuam a sair camiões de cerca de 10 em 10 minutos da Companhia Logística de Combustíveis.

Pardal Henriques justifica este movimento com o facto de as empresas continuarem a pressionar os motoristas para trabalharem.

"Existem algumas pessoas que continuam a ceder às ameaças e aos subornos das empresas e continuam a trabalhar, mas em quantidade muito reduzida", explicou o representante do sindicato.

O porta-voz adianta que existem mesmo até "alguns motoristas que estão a voltar para trás e a juntar-se [ao piquete de greve]", que, em Aveiras de Cima, conta com cerca de 30 trabalhadores - embora Pardal Henriques espere que haja ainda maior adesão ao piquete.

Pardal Henriques concluiu com um apelo à Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) para voltar a dialogar com os motoristas.

"A ANTRAM devia, com urgência, marcar uma reunião connosco porque já se viu que assim vamos ficar num impasse e o país vai ficar um caos", notou.

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumpriram na terça-feira o segundo dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar a requisição civil, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

Portugal está, desde sábado e até às 23:59 de 21 de agosto, em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido a esta paralisação, o que levou à constituição de uma Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), com 54 postos prioritários e 320 de acesso público.

A greve foi convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias para reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

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