O movimento de acionistas com crédito da Caixa que o BdP não teve poder para travar

O ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, regressa esta terça-feira ao parlamento para responder às perguntas dos deputados na comissão parlamentar de inquérito à CGD.

Mariana Mortágua questiona Vítor Constâncio a propósito dos financiamentos da Caixa Geral de Depósitos (CGD) a acionistas do BCP. Em 2007, ainda antes do crédito a José Berardo, no espaço de dois meses há quatro grupos privados a comprar ações do BCP com crédito da CGD - Teixeira Duarte, Goes Ferreira, Investifino e Metalgest.

"Não tivemos nenhum conhecimento prévio de que estavam fazer esses pedidos à Caixa", justifica Vítor Constâncio. "O conhecimento dessas operações foi a posteriori. Não se podia fazer qualquer alteração a essas operações."

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Mas depois de ter conhecimento do primeiro, soube do segundo, depois do segundo soube do terceiro e assim sucessivamente, nota Mariana Mortágua. Quando chegou ao quarto percebeu que havia "um movimento de acionistas" para aumentar os preços das ações do BCP?

"Tinha consciência de que 8% do maior banco privado português estava a ser comprado por acionistas de outro banco com créditos da Caixa e sem capital próprio", questiona a deputada bloquista. Que a Caixa e todo o sistema bancário estava "a expor-se a um risco absurdo"?

Se a exposição da CGD ao BCP atingiria de forma indireta os 8%, Constâncio não sabe - "não fiz a soma". Mas sim, admite, o BCP sabia dos riscos "e das consequências", mas "não tem nada a ver com isso" nem tem poder de intervir nestes processos.

"As operações eram legais, eram legítimas, não tinham de ser autorizadas pelo Banco de Portugal (...) eram operações normais no sistema." Além disso a exposição não era "direta" e que havia "todo o património" dos acionistas como garantia.

O movimento de acionistas, incluindo de José Berardo, até era "motivo de alguma preocupação", assume, mas o supervisor estava de mãos atadas. "É a iniciativa provada, não tem de ser aprovada por nenhum supervisor em nenhum país", reforça.

Mariana Mortágua considera que o BdP poderia, pelo menos, ter "alertado a Caixa" para os riscos, tal como sobre as contas da Fundação Berardo.

A solidez financeira da Fundação José Berardo foi atestada pelos serviços do Banco de Portugal, não pelo próprio governador, defende-se Constâncio.

"Foi a conclusão dos serviços e a proposta dos serviços. Eu não fiz a análise financeira da fundação. Perguntem ao Banco de Portugal e peçam explicações ao Banco de Portugal."

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