Trabalhadores portugueses recebem fatia cada vez menor do PIB

Portugal caiu 38 lugares em pouco mais de uma década na percentagem do PIB que vai para os trabalhadores.

Os trabalhadores em Portugal recebem uma parcela cada vez menor da riqueza produzida anualmente no país. A conclusão é visível num relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O documento analisado pela TSF revela que em 2004 os rendimentos do trabalho representavam 65,8% do PIB em Portugal, mas, em 2016, último ano disponível neste estudo, o valor desceu para apenas 54,7%. Ou seja, uma queda de 11,1 pontos percentuais, a sexta maior do mundo - apenas atrás do que aconteceu no Panamá, Guatemala, Ucrânia, Irlanda e Índia. Em 2004, Portugal era o 6.º país, entre 190, onde uma maior parte do PIB ia para os trabalhadores, descendo, em 12 anos, para o 44.º lugar.

A Suíça era, em 2016, o país onde os rendimentos do trabalho representavam uma maior parte da riqueza produzida a nível nacional (70,8%). No outro extremo, com 18,6%, o Qatar é o país onde esse valor é mais baixo.

A Organização Internacional do Trabalho, uma agência das Nações Unidas especializada na área, sublinha que a tendência, a nível global, é para o trabalho receber uma menor parte dos respetivos PIBs (com variações muito diferentes de país para país), algo que levanta dúvidas e obriga os economistas a estudar a evolução.

Desigualdade também entre trabalhadores

Noutro indicador, o relatório agora apresentado também revela que 10% dos trabalhadores que ganham os salários mais altos em Portugal recebem cerca de 30% do total das remunerações pagas no país.
O número, referente a 2017, é considerado importante para medir a desigualdade e coloca Portugal perto do meio da tabela entre 190 países do Mundo.

Na média mundial, segundo a OIT, metade das remunerações pagas no mundo estão concentrada em 10% dos trabalhadores.

Desigualdade mundial

Em geral, o relatório alerta que quanto maior a pobreza num país, maior é a desigualdade salarial.

Em todo o mundo, o salário médio mensal dos 10% mais ricos é de 6.623 euros e dos 10% mais pobres não ultrapassa os 19,50 euros.

O economista do Departamento de Estatística da OIT, Roger Gomis, dá mesmo um exemplo: "Os 10% mais pobres teriam que trabalhar três séculos para ganhar o mesmo que os 10% mais ricos num ano".

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