"Isto é um insulto." Frente Comum critica proposta do Governo

Ana Avoila não concorda com um aumento de "oito cêntimos por dia" para os assistentes profissionais.

A dirigente da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública Ana Avoila considerou que a proposta do Governo de aumentos salariais para 2020 em linha com a inflação "é um insulto" aos trabalhadores.

"O que está em cima da mesa é uma proposta de aumentos para os trabalhadores da administração pública de acordo com a inflação verificada em dezembro que pode ser de 0,3% ou 0,4%, ou seja, de 2 euros para os assistentes operacionais por mês, oito cêntimos por dia", disse Ana Avoila, considerando que "isto é um insulto aos trabalhadores".

A sindicalista falava à saída de uma reunião com os secretários de Estado do Orçamento, João Leão, e da Administração Pública, José Couto sobre as matérias que poderão constar no Orçamento do Estado para 2020 para os trabalhadores do Estado.

"Não abdicamos de propor os 90 euros para todos os trabalhadores porque para ficarem [com salários] iguais a 2009 tinham de ter em média 133 euros de aumento", frisou Ana Avoila em declarações aos jornalistas.

O Governo afirma que um aumento em linha com a inflação em 2020, somado ao descongelamento das carreiras dos últimos anos, implicará em 2020 um acréscimo da despesa com pessoal de 3,2%, uma posição que mereceu duras críticas de Ana Avoila.

"Podemos chamar-lhes mentirosos porque é isso que temos de lhes chamar", afirmou a líder da Frente Comum.

Para Ana Avoila, o Governo está a fazer "malabarismo em números juntando custos de trabalho que é obrigado a ter para passar para a opinião pública que vai dar aumentos aos trabalhadores da administração pública de x%, quando não é verdade".

Já a presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), Helena Rodrigues, disse que na reunião o Governo adiantou que os aumentos salariais terão por base a inflação que se irá verificar no final do ano, sem adiantar valores.

"Foi-nos dito que temos de esperar pelo final do ano", afirmou Helena Rodrigues.

O sindicato propôs, inicialmente, aumentos de 3,5% no entanto acabou por baixar o pedido até aos 2,9% mas o governo não sai dos 0,3% de aumento.

A FESAP acusa o governo de pretender dividir trabalhadores dos setores público e privado. O sindicato foi o último a ser recebido pelo secretário de estado da Administração Pública e José Abraão adiantou aos jornalistas que foi apresentada uma contraproposta ao Governo para aumentos salariais.

Antes, enquanto decorriam as negociações com os sindicatos, o Ministério das Finanças divulgou um comunicado onde esclarecia que os aumentos salariais para a função pública no próximo ano terão por base "a taxa de inflação observada até novembro de 2019, de 0,3% para todos os trabalhadores".

O esclarecimento das Finanças surgiu depois de o dirigente da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap), José Abraão, ter adiantado aos jornalistas que, na reunião desta tarde com o Governo, o executivo tinha apresentado uma proposta de aumentos salariais que teria em conta a fórmula das pensões, apontando para uma atualização diferenciada em 2020 que podia ir até 0,7%.

Por sua vez, o secretário de Estado do Orçamento, João Leão, disse aos jornalistas, à margem da reunião com os sindicatos, que o aumento no próximo ano será em linha com a inflação e que a atualização terá um impacto orçamental entre 60 e 70 milhões de euros.

Com o aumento da tabela salarial em 2020, o aumento médio da despesa com pessoal ascenderá assim a 3,2%, tendo em conta o descongelamento de carreiras dos últimos anos, adiantou João Leão.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de