"Jangada solar" gigante no Alqueva

A barragem do Alqueva vai ter, em cima da água, quatro hectares de painéis solares; uma área maior do que o Terreiro do Paço, em Lisboa. Vai ser a segunda maior central flutuante da Europa.

São 40 mil metros quadrados de tecnologia para converter em eletricidade a luz solar, a partir do próximo ano. Um projeto que vai ser apresentado esta segunda-feira ao ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, que visita o mais recente Parque Eólico da EDP, em Penacova.

O presidente da EDP Produção, Rui Teixeira, adianta que "no Alqueva nós vamos instalar cerca de 11 mil painéis que terão uma produção estimada de 6 mil MWh. No fundo estes 11 mil painéis serão capazes de levar energia a cerca de 1/4 da população dos dois municípios nas margens do Alqueva [Portel e Moura] e este é um investimento de 3,5 milhões de euros", sublinha.

Assim, transforma-se em projeto industrial a experiência piloto que foi desenvolvida com sucesso na Barragem do Alto Rabagão. "Nós acumulámos uma produção 6% acima do que estava previsto o que demonstra que a nossa expectativa de maior eficiência do solar flutuante é francamente boa face à solução terrestre" e daí a aposta no Alqueva que, com 4 MW vai ser o segundo maior parque flutuante da Europa, a seguir aos 6,3 MW da instalação num reservatório de água em Walton-on-Thames, Surrey, Inglaterra.

"Este parque [solar no Alqueva] vai ter ligação à rede e insere-se em dois conceitos que nós estamos a promover. Por um lado a 'hibridização' que já começámos a testar no Alto Rabagão mas que aqui queremos elevar a um outro patamar e um segundo que é, em conjunto com este projeto de fotovoltaico flutuante iremos também instalar uma bateria (admitimos que seja de iões de lítio) que serve para testarmos de que forma vai ser gerido a combinação renováveis com 'storage' [armazenamento]", explica Rui Teixeira.

A produção híbrida de eletricidade acontece quando estão em causa mais do que uma fonte. "Na hibridização o que queremos ensaiar é a complementaridade de uma instalação em maior escala de fotovoltaico com a capacidade de produção hídrica que já existe, mas também pelo facto do Alqueva, ao ter bombagem, nos momentos da bombagem terá que ter eletricidade que queremos combinar com este parque solar".

Ou seja, aproveitar o solar para diminuir os custos de produção porque as bombas que reencaminham a água de novo para as turbinas são alimentadas por energia solar. Já o outro projeto-piloto passa pela instalação de baterias para guardar a energia solar.

"Ao longo do dia, em momentos em que não exista consumo suficiente para produção dos 4 MW, conseguirmos armazenar essa energia produzida numa bateria que depois é utilizada em diferentes circunstâncias quando já não exista a produção solar", destaca o presidente da EDP Produção, para quem o Alqueva vai ser "um laboratório vivo de energias renováveis".

Um conjunto de experiências que podem no futuro mudar o paradigma da formação dos preços no mercado grossista.

Rui Teixeira dá o exemplo da Alemanha: "Hoje o mercado alemão que é um mercado com uma enorme penetração solar tem preços de eletricidade mais baixos durante o dia, quando o solar está a funcionar. Na Península Ibérica, os preços da eletricidade continuam a ser mais altos durante o dia. As nossas previsões é que, com a penetração solar que é esperada na Península Ibérica, resulte também uma alteração dos preços e portanto, ao longo do dia, com o solar a produzir os preços da eletricidade, possam ser mais baixos, o que permite ter condições para a bombagem", defende.

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