Leão com dois concorrentes ao Mecanismo Europeu após Países Baixos retirarem candidatura

O luxemburguês Pierre Gramegna e o italiano Marco Buti também concorrem ao cargo.

O ex-ministro das Finanças, João Leão, tem agora dois concorrentes na liderança do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), instituição financeira que assegura a estabilidade da zona euro, depois de os Países Baixos terem retirado a candidatura.

O anúncio foi feito esta noite pelo presidente do Eurogrupo, Paschal Donohoe, que em conferência de imprensa após a reunião do fórum de ministros das Finanças da zona euro, em Bruxelas, disse que "os Países Baixos retiraram a sua candidatura e isso significa que existem agora três candidatos" ao cargo de diretor executivo do MEE, entre os quais o ex-ministro das Finanças luxemburguês Pierre Gramegna e o italiano Marco Buti, antigo chefe de gabinete do comissário europeu da Economia, além de João Leão.

"Continuaremos as consultas informais com vista a chegar a um acordo na reunião do Conselho de Governadores do MEE, a 16 de junho", explicou Paschal Donohoe, notando que "o objetivo desta discussão no seio do Eurogrupo foi avaliar o nível de apoio que os candidatos recebem e desempenhar um papel em facilitar a nomeação efetiva".

No dia em que o fórum de ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) discutiu, em Bruxelas, as candidaturas à sucessão de Klaus Regling no MEE, foram divulgadas as cartas de intenções dos candidatos.

Na sua carta, o ex-ministro das Finanças, João Leão, argumenta ter o perfil "político e técnico" para assumir o cargo de diretor executivo do MEE, sublinhando na carta de candidatura a experiência governamental desde 2015.

Na reunião de hoje do Eurogrupo, houve então uma análise às candidaturas, mas já não se esperava uma decisão, que será antes tomada em junho, numa reunião do Conselho de Governadores do MEE, agendada para dia 16.

O Conselho de Governadores é o órgão máximo de tomada de decisões do MEE, sendo composto por representantes governamentais de cada um dos 19 acionistas do mecanismo, os países do euro, com a responsabilidade da pasta das Finanças. Portugal está representado por Fernando Medina.

Sediado no Luxemburgo, o MEE é uma organização intergovernamental criada pelos Estados-membros da zona euro para evitar e superar crises financeiras e manter a estabilidade financeira e a prosperidade a longo prazo, concedendo empréstimos e outros tipos de assistência financeira aos países em graves dificuldades financeiras.

O diretor executivo é responsável por conduzir os trabalhos do mecanismo, atuando como representante legal da organização e presidindo ao Conselho de Administração, sendo os seus mandatos de cinco anos, podendo ser renovados apenas uma vez.

Na reunião de hoje do Eurogrupo foi ainda discutido o parecer favorável da Comissão Europeia ao projeto de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) apresentado por Portugal, tendo os ministros das Finanças do euro concordado com a luz 'verde' de Bruxelas e saudado o compromisso de contenção da despesa pública.

"Acolhemos com satisfação os pareceres da Comissão e partilhamos a avaliação positiva da Comissão", disse Paschal Donohoe à imprensa.

Também falando sobre o OE2022, o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, destacou os "progressos decisivos no reforço do controlo das despesas, na eficiência dos custos e na orçamentação adequada continuam a ser importantes para facilitar a recarga dos recursos públicos em direção à transição verde e digital".

"Várias medidas importantes nesta área estão incluídas no Plano português de Recuperação e Resiliência", adiantou Paolo Gentiloni.

Na sexta-feira passada, a Comissão Europeia emitiu um parecer favorável ao OE2002 português, considerando que está consistente com as recomendações do Conselho, sublinhando a importância de Portugal apoiar a recuperação económica através da 'bazuca'.

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