"Lisboa pretende ser um hub azul para se afirmar no mundo"

A Câmara Municipal de Lisboa vai aliar-se a startups de todo o mundo para ajudar empresas a acelerar a transição energética.

A guerra na Ucrânia e o consequente aumento do preço dos combustíveis tornou urgente a transição energética. Para responder a este desafio, a Câmara Municipal de Lisboa juntou-se à Beta-i, uma consultora de inovação colaborativa que vai pôr grandes empresas da capital a trabalhar com startups de todo o mundo para encontrarem as melhores respostas para esse desafio.

"Conhecemos a ambição da Câmara Municipal de Lisboa de a cidade ser neutra em emissões de carbono até 2030 e isso, obviamente, vai exigir um esforço coletivo de todas as organizações. O programa deste ano tem como objetivo que as organizações da cidade encontrem soluções para a sua descarbonização e transição energética. É composto por dois tipos de parceiros: o que chamamos de parceiros de expertise técnica, que vêm com o seu conhecimento nas suas áreas técnicas de sustentabilidade, jurídicas e energéticas, e os parceiros-piloto, que são empresas que atuam na cidade de Lisboa, estão comprometidas com a descarbonização e querem encontrar soluções para reduzirem ou neutralizarem as suas emissões", explicou à TSF Diogo Teixeira, CEO da Beta-i, à margem da Conferência dos Oceanos que decorre esta semana na Altice Arena, em Lisboa.

A Delta, Carris, Sonae e ANA - Aeroportos de Portugal vão ser alguns destes parceiros-piloto em Lisboa que trabalharão com startups com soluções vindas da América do Norte, América Latina, Ásia e Israel.

"As empresas têm um desafio, as startups uma tecnologia e os dois acordam um período para testar a tecnologia e resultados. A inovação precisa sempre de adaptação, ajuste, trabalho conjunto. Quando esse teste é feito e resulta, a empresa incorpora aquela inovação e passa a ser uma empresa mais inovadora do que as outras porque não se limitou a inovar dentro de portas e colaborou. Percebemos que, na transição energética, a colaboração é provavelmente a palavra-chave", esclareceu o CEO da consultora.

Para o responsável, os desafios da transição energética são "tão exigentes" que nenhuma organização, sozinha, conseguirá resolvê-los. Por isso defende o trabalho colaborativo para que se alcancem resultados.

"A Beta-i, desde a primeira hora, teve a ambição de ajudar a que Lisboa fosse um grande pólo internacional de inovação e empreendedorismo. Lisboa pretende ser um hub azul fundamental para se afirmar no mundo e isso vai ser possível atraindo startups, universidades, institutos de investigação", defende Diogo Teixeira.

"Há um longo caminho a percorrer"

A par desta parceria, a Câmara de Lisboa vai lançar também o programa Lisboa Solar, que incluirá uma Central Fotovoltaica em Carnide, instalação de painéis fotovoltaicos em edifícios municipais e vários outros projetos com o objetivo de aproveitar a energia solar. Prevê-se um investimento de cerca de 500 milhões de euros, mas Diogo Moura, vereador de Economia e Inovação da autarquia, reconhece que "há um longo caminho a percorrer".

"A cidade também tem uma estratégia específica para este setor estratégico que é o mar e que é o oceano. Já lançámos as bases para o novo hub azul e vamos trabalhar essa vertente do ponto de vista tecnológico de salvaguarda do oceano, dos nossos mares e da bio economia azul. Estamos a trabalhar em várias frentes, mas é sempre um desafio grande e é por isso que entendemos que esse trabalho não se faz sozinho. Faz-se com as pessoas, mas também com estas empresas, organizações e entidades que nos ajudam a pensar a cidade, os desafios, a encontrar as soluções e, principalmente, a ajudar a implementar essas mesmas soluções na nossa cidade", acrescentou Diogo Moura.

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