Marcelo alerta que greve pode colocar portugueses contra motoristas

Marcelo Rebelo de Sousa lembra que o direito à greve está previsto na Constituição portuguesa, e, apesar de reconhecer justiça às reivindicações laborais dos motoristas, acredita que os efeitos da paralisação podem colocar os portugueses contra a classe.

Marcelo Rebelo de Sousa comentou o impasse nas negociações do sindicato, da ANTRAM e da Fectrans e do sindicato com o Governo. "Frio e isento." Foi assim que se descreveu quanto à situação, mas não se absteve de alertar para possíveis situações em que os fins não justificam os meios adotados.

Para o Presidente da República, não basta que as aspirações sejam justas, já que os "sacrifícios impostos à restante comunidade" poderão ser demasiado severos. Por isso, Marcelo Rebelo de Sousa apelou à ponderação, ainda que admita que a greve seja um direito constitucional.

Sobre a luta dos motoristas, o chefe de Estado pronunciou-se com a demonstração de solidariedade por causas que considera legítimas. "Eu recebi um apelo do sindicato independente dos motoristas de matérias perigosas", referiu.

"Eu acompanho há muito tempo, há, pelo menos um ano, a situação dos motoristas, e fiz essa viagem Porto-Lisboa, e, nessa ocasião, tomei conhecimento de algumas questões." Estas "questões" de que o Presidente da República deu conta são "queixas a que dei atenção, e sobre as quais me sensibilizei, sobre cargas e descargas", questões de condições laborais, limites de idade e fins de semana, apontou.

Apesar de dizer que não é habitual "comentar processos individuais", o chefe de Estado apontou que o trabalhador deve utilizar os meios para que os fins tenham sucesso. "Não basta que as aspirações sejam justas", frisou, se os sacrifícios impostos a outros membros da comunidade não são riscos calculados.

"Todas as greves impõem sacrifícios, mas deve haver ponderação", apelou, sob pena de que as ideias "justas" dos motoristas não sejam bem acolhidas pelos portugueses. "Uma coisa é uma greve ser vista como contra o Estado, patrões e sindicato. Outra é ser vista como contra os portugueses." Se Portugal considerar o impacto "excessivo", analisou o Presidente, "ideias que merecem ser acolhidas passam a não ser acolhidas".

A melhor maneira, esclareceu Marcelo Rebelo de Sousa, "deve ser continuar a negociação e promover a negociação, sobretudo se houver outras entidades sindicais a conseguir acordos".

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados