Marcelo diz que previsões do Conselho de Finanças Públicas não têm em conta apoios

Marcelo acredita que o Conselho Europeu irá aprovar um fundo de recuperação que se somará a outros, a que acresce ainda o anúncio do Banco Central Europeu de injeção de mais liquidez.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou esta quinta-feira que as previsões do Conselho de Finanças Públicas são "duras e cruas", não tendo em linha de conta as medidas europeias anunciadas, mas ainda não aprovadas.

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava no final de um almoço no restaurante "Algaz", criado pelo Centro de Apoio Social da Carregueira, no concelho da Chamusca, como forma de financiar a instituição, disse acreditar que o Conselho Europeu irá aprovar um fundo de recuperação que se somará a outros, a que acresce ainda o anúncio do Banco Central Europeu (BCE) de injeção de mais liquidez.

"O somatório destas duas realidades - o que vier de Bruxelas em termos de fundos e aquilo que é a intervenção todos os dias do BCE, indo até tão longe ou mais do que foi na crise da troika para aguentar as dívidas públicas - pode permitir, se houver uma utilização criteriosa desses fundos, que os números finais não sejam tão brutais e tão graves como seriam se não houvesse uma bazuca mais outra bazuca, somadas", declarou.

O BCE anunciou esta quinta-feira que prevê uma contração económica de 8,7% na zona euro em 2020, devido à pandemia de Covid-19, e que decidiu aumentar em 600 mil milhões de euros o volume do programa de compra de ativos de emergência (PEPP), destinado a limitar o impacto da crise causada pelo novo coronavírus.

O montante global deste programa que foi lançado em março passado ascende agora a 1,35 biliões de euros, indicou em comunicado o BCE, que também alargou a sua duração pelo menos até ao final de junho de 2021.

Por outro lado, na reunião desta quinta-feira, o BCE deixou as taxas de juros inalteradas, com a principal taxa de refinanciamento a manter-se em zero.

Na quarta-feira, O Conselho das Finanças Públicas (CFP) estimou uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) entre 7,5% e 11,8% este ano devido à pandemia Covid-19 e o início da recuperação em 2021.

Marcelo Rebelo de Sousa frisou que esta previsão foi feita sem ter em conta as medidas que estão a ser adotadas pela União Europeia, por não estarem ainda aprovadas.

"Nós sabemos que vai haver medidas europeias e isso o CFP não podia tomar em linha de conta porque não está aprovado", disse, salientando ainda medidas internas, como o plano de estabilização económica e social e a utilização dos fundos vindos de Bruxelas.

"Portanto aquelas previsões são previsões duras e cruas, se não houver nada, entretanto, que atenue as previsões", disse, sublinhando acreditar que as medidas que estão a ser tomadas permitirão que a situação "seja menos grave" que a apontada pelo CFP.

Questionado sobre a afirmação do primeiro-ministro, António Costa, de que não é possível passar esta crise sem dor, o Presidente da República sublinhou que o que está em causa "é saber se a dor é muito mais intensa ou menos intensa, se dura mais tempo ou menos tempo".

"Não podemos estar a negar a gravidade da situação. Vai ser difícil. Já está a ser difícil na vida das pessoas", afirmou, acrescentando acreditar que a União Europeia terá percebido que não deveria cometer "alguns erros que cometeu aquando da crise da troika".

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