Mário Centeno garante que país superou "as expectativas mais otimistas"

Governador do Banco de Portugal revelou que a economia portuguesa vai atingir os valores de 2019 já nos primeiros meses do próximo ano.

Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, começou a intervenção na Money Conference com uma viagem à edição do ano passado, onde o país vivia um período de "muita incerteza e muito caminho a percorrer", mas foi possível deixar uma mensagem de otimismo com realismo, que se veio a confirmar este ano.

"Conseguimos, de facto, superar as expectativas mais otimistas que tínhamos disponíveis para o ano 2021. isto é um grande desafio. O progresso realizado pelo sistema bancário português foi preponderante para aumentar a resiliência do setor em choques adversos. Prova disso foi a resposta resiliente dada pelo setor ao choque decorrente da pandemia de Covid-19", sublinhou.

Uma evolução positiva que, segundo Centeno, se deveu principalmente ao aumento significativo das provisões e imparidades.

"Os sinais de crescimento económico tornaram visíveis a rendabilidade do sistema bancário melhorou para 0,64% e está num nível semelhante ao registado no primeiro semestre de 2019. Durante a crise pandémica os bancos deram continuidade ao processo de revisão da sua eficiência operacional, que deve ser gradual. Os custos operacionais continuaram a reduzir-se e os outros gastos gerais administrativos diminuíram, uma tendência que já se verifica desde 2005", explicou.

Sem querer deixar de lado os esforços e sucessos da banca e dos portugueses, o governador do Banco de Portugal afirmou que o rácio de empréstimos reestruturais aumentou 2,8 pontos percentuais, para 9,2%.
"Tudo isto quer dizer que a banca fez exatamente aquilo que lhe foi pedido: olhou para as suas carteiras de crédito e agiu em conformidade. Estes números refletem o desafio que foi colocado à economia portuguesa e ao sistema bancário neste período", afirmou Centeno.

O governador do Banco de Portugal avisa que, no futuro, as perspetivas de rendabilidade vão permanecer condicionadas pelo ambiente de taxas de juro baixas.

"As medidas de apoio às famílias e às empresas foram muito importantes para mitigar as dificuldades de liquidez e de incumprimento. Durante este período, os bancos seguiram uma abordagem proativa que foi consistente com as orientações de supervisão, apelando à necessidade de supervisionar a situação financeira dos seus clientes. Os bancos fizeram exatamente isto", disse.

Centeno lembrou também que é fundamental proporcionar igualdade de condições regulatórias entre os principais participantes no mercado e referiu o exemplo das grandes empresas de tecnologia.

"A utilização de dados dos seus clientes pelas big tech necessita urgentemente de ser regulamentada cuidadosamente. Isto leva-me ao tema da cibersegurança que, em resultado do processo de digitalização da economia, tem ganhado maior importância. Como muitas instituições financeiras recorrem aos mesmos fornecedores de tecnologia de informação, um ataque aos fornecedores destes serviços pode, rapidamente, assumir uma natureza sistémica", acrescenta o antigo ministro das Finanças.

Economia portuguesa. Valores de 2019 serão atingidos já "nos primeiros meses de 2022"

Terminando a intervenção na Money Conference num tom otimista, Mário Centeno divulgou números sobre a perspetiva de trajetória da economia portuguesa. Revelou que, "nos primeiros meses de 2022, a economia portuguesa atingirá os valores pré-pandemia e sublinhou a fase que o setor da restauração atravessa.

"Os setores mais afetados pela crise foram aqueles em que a interação social é mais intensa. A restauração inclui-se neste grupo. Se até ao final do ano mantivermos taxas de crescimento idênticas às das últimas três semanas, o volume de pagamentos com cartões em 2021 poderá superar o valor de 2019", revelou.

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