Mercado imobiliário continua sobrevalorizado, afirma Banco de Portugal

Supervisor nota desaceleração do número de imóveis transacionados, mas avisa que o preço continua a subir. BdP sublinha melhorias no setor financeiro e recomenda prudência na concessão de crédito.

O Banco de Portugal (BdP) avisa para a continuação do preço de venda de imóveis em Portugal e alerta que o setor imobiliário continua sobrevalorizado.

No relatório de Estabilidade Financeira, o supervisor escreve que "no segundo trimestre de 2019, os preços da habitação apresentaram uma taxa de variação homóloga de 10,1%, em termos nominais, e de 9,1%, em termos reais, o que corresponde a um ligeiro acréscimo face ao último trimestre de 2018" e conclui que "nos trimestres mais recentes manteve-se a evidência de sobrevalorização no imobiliário residencial", aconselhando os bancos a ter "particular prudência na realização de operações que tenham ativos desta natureza como garantia, devendo-se adequar os critérios de concessão de crédito ao risco incorrido".

Os técnicos da instituição liderada por Carlos Costa entendem que "os novos empréstimos à habitação têm sido concedidos a mutuários com perfil de menor risco" mas realça que "existem sinais de reduzida diferenciação nos spreads dos novos empréstimos à habitação de acordo com o risco de crédito dos mutuários, spreads esses que se têm vindo a reduzir ao longo do tempo".

Já no segmento do crédito ao consumo, os novos empréstimos "interromperam a trajetória de abrandamento observado desde meados de 2018".

O BdP nota que os novos empréstimos à habitação continuaram a desacelerar, com a percentagem das transações financiada com recurso a crédito bancário a manter-se "estável em torno de 40%, o que compara com cerca de 65% no período antes da crise da dívida soberana".

Os principais dinamizadores do crescimento nos preços da habitação, lê-se no relatório, "continuam a ser o crescimento continuado da atividade económica, que se tem traduzido na melhoria das condições no mercado de trabalho e em elevados níveis de confiança dos consumidores, a manutenção de baixos custos de financiamento, o aumento da população estrangeira a residir em Portugal, os comportamentos de procura de rendibilidade por parte de investidores particulares e institucionais, tanto residentes como não residentes".

Os compradores estrangeiros continuam a dar um empurrão ao lado da procura: em 2018, o valor dos imóveis adquiridos por não residentes aumentou 22,2%, o que compara com um aumento de 5,6% por parte dos residentes. A aquisição de imóveis por não residentes correspondeu a 13,0% do valor e 8,2% do número do total de transações no mesmo ano, mais 1,6 pp e 0,6 pp do que em 2017, respetivamente".

Os especialistas acrescentam que "o valor médio de imóveis adquiridos por não residentes é superior ao valor médio de imóveis adquiridos por residentes".

O BdP esclarece que "o crescimento dos preços foi acompanhado por uma desaceleração no valor global e, de forma mais acentuada, no número de transações de alojamentos familiares", sublinhando que "no segundo trimestre de 2019, o valor e o número de transações registaram quedas de 1,9% e de 6,6%, respetivamente, em termos homólogos, o que compara com aumentos de 10,7% e de 9,4% no último trimestre de 2018".

Bancos não devem facilitar empréstimos

Num ambiente de taxas de juro muito baixas, o supervisor avisa que isso "cria condições propícias à intensificação dos riscos associados à procura de rendibilidade, o que poderá resultar em assunções excessivas de risco e sobrevalorizações dos ativos", bem como "a deterioração dos critérios de concessão de crédito e o aumento do endividamento para níveis não sustentáveis".

Os economistas do BdP esclarecem que "a acumulação de vulnerabilidades que daí resulta torna os agentes económicos mais sensíveis a um eventual abrandamento mais acentuado da atividade económica, com impacto na sua capacidade de servir a dívida".

O supervisor recomenda cautela "seja no controlo do risco das suas exposições, seja no reforço da sua capacidade para absorver a eventual concretização de riscos".

Atenção às fintech e às alterações climáticas

Com uma revolução financeira e digital em curso, com a entrada no mercado das empresas tecnológicas financeiras, o Banco de Portugal avisa que "será imperativo que os bancos acautelem os riscos inerentes à digitalização do setor financeiro e à entrada de novos atores na função de intermediação", para além dos "riscos decorrentes das alterações climáticas (riscos físicos e de transição) e respetivos mecanismos de transmissão para o setor financeiro e para a economia como um todo e, ainda, os riscos associados ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de