Metade das atividades do retalho podem ser automatizadas em 10 anos

A automação de processos no setor do retalho terá impacto não só nas lojas, mas também na cadeia logística, embora se espere que o mercado português demore alguns anos a adotar tecnologias como o uso de 'drones' e robots na logística.

Um estudo da consultora McKinsey concluiu que, nos próximos 10 anos, 50% das atividades do retalho serão automatizadas, o que terá repercussões no mercado de trabalho, com os postos menos qualificados e remunerados em maior risco de extinção.

O estudo sobre o futuro do retalho e as tendências no mercado português, elaborado pela McKinsey, foi apresentado durante a Conferência de Primavera da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), que teve como mote a discussão sobre estratégias de sucesso para o futuro, em áreas como a sustentabilidade, transformação digital e liderança.

De acordo com o estudo, a automação de processos no setor do retalho terá impacto não só nas lojas, mas também na cadeia logística, embora se espere que o mercado português demore alguns anos a adotar tecnologias como o uso de 'drones' e robots na logística, por exemplo.

A automação de processos terá consequências no mercado de trabalho e, de acordo com o estudo, os postos de trabalho mais propícios a desaparecer serão os menos qualificados e, consequentemente, com remunerações mais baixas.

Segundo a consultora, a pandemia veio "tornar mais urgente a adoção de medidas" que façam face às novas tendências de consumo.

O comércio 'online' deverá crescer cerca de 7% até 2025, cerca de duas vezes mais rápido do que a totalidade do setor retalhista (3,7%) e terá de ser feito "muito trabalho" para fazer funcionar os diferentes modelos de entrega aos clientes.

Para a próxima década, a integração adequada entre a experiência 'online' e 'offline' é "fundamental para qualquer retalhista", alertaram os responsáveis da consultora.

"A automação é a grande certeza e a grande incógnita: todos sabemos que vai acontecer, todos nós vamos entrar em lojas que vão ter muito menos pessoas. A questão importante é qual é o 'timing'", afirmou Duarte Braga, responsável do escritório da Ibéria da consultora americana.

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, participou na conferência, através de uma mensagem gravada em vídeo, onde destacou que o setor do retalho vai ser "tremendamente afetado" pela digitalização da economia e da sociedade.

"Duas coisas se tornaram aparentes este último ano: Vimos um aumento significativo na migração para o comércio 'online' e, em particular num país como Portugal, onde a penetração do comércio 'online' e particularmente onde a experiência das empresas com uma presença 'online' era inferior à média da União Europeia, o crescimento foi imenso", referiu o governante.

Siza Vieira sublinhou o papel desempenhado pelas empresas de distribuição durante a pandemia, que, disse, conseguiram adaptar-se de forma significativa a mudanças que se vão tornar permanentes.

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