Moscovici considera "particularmente notável" recuperação das finanças em Portugal

O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros considerou esta quinta-feira que Portugal e a Grécia são "os dois países" em que as finanças recuperaram de forma "notável".

Na apresentação do boletim macroeconómico do outono, Pierre Moscovici afirmou que "todas as economias da UE deverão continuar a expandir-se nos próximos dois anos", mas identificou duas, em particular, em que os resultados de "recuperação das finanças" são "notáveis".

"Os dois países, em que a recuperação das finanças públicas foi particularmente notável, são Portugal, - que deverá executar um orçamento equilibrado no próximo ano - e a Grécia, que planeia um grande superávit para 2020, em consonância com os compromissos assumidos no âmbito do procedimento de vigilância". "Tendo dedicado bastante do meu tempo a esses dois países, estas são boas notícias ao sair da comissão", afirmou Moscovici, que terá feito hoje a sua última apresentação de um boletim macro-económico, enquadro comissário europeu. Isto no caso de o calendário revisto para a posse do futuro executivo comunitário se cumprir.

No seu relatório, a Comissão admitiu que pudesse haver já este ano um excedente orçamental de 0,5% cento, não fosse o "impacto negativo" de uma nova ativação do mecanismo de capital contingente do Novo Banco de 0,6% do PIB. Assim, as contas públicas deverão apresentar um défice de 0,1% no final deste ano. A previsão está em linha com a estimativa do governo.

Em relação ao próximo ano, Bruxelas fixa o saldo global em 0,0%, tendo como base um cenário de políticas inalteradas. Este cálculo será obviamente revisto, assim que o orçamento do próximo ano chegar a Bruxelas. Já a economia grega deve crescer 1,8% este ano e acelerar para 2,3% em 2020, devendo manter-se resiliente face ao ambiente externo mais frágil.

"Os parâmetros fundamentais da economia da UE são robustos: após seis anos de crescimento, o desemprego na UE atingiu o seu nível mais baixo desde o início do século e o défice agregado é inferior a 1% do PIB", afirmou o ainda comissário, referindo-se à zona euro, advertindo que "os desafios que se colocam não deixam qualquer margem para complacência [e] todos os instrumentos de política económica terão de ser utilizados para reforçar a resiliência da Europa e apoiar o crescimento".

Em relação a Portugal, o ano deverá fechar com um crescimento de 2,0%, ou seja, mais uma décima do que a previsão de 1,9% apresentada pelo executivo. Para 2020 e 2021, a Comissão Europeia prevê um abrandamento do avanço da economia, para 1,7 por cento do PIB, ao passo que a estimativa do ministério das Finanças é de 2,0%.

"Geralmente, as nossas previsões são bastante boas, mas devo dizer que reparei, nos anos mais recentes, que por vezes fomos um pouco pessimistas no que diz respeito a Espanha e Portugal", afirmou Moscovici, acrescentando com ironia que "se jogarmos Monopólio, é melhor que o erro da banca seja a nosso favor do que o inverso. Por isso, sou muito cauteloso com estas previsões". "E, do nosso ponto de vista, esta moderação não se deve a este ou àquele fator de finanças públicas, mas antes à procura externa, uma vez que o consumo privado e investimento permanecem robustos", disse.

O produto interno bruto da área do euro deverá crescer 1,1% em 2019 e 1,2% em 2020 e 2021. Bruxelas salienta que "a economia europeia está atualmente no seu sétimo ano consecutivo de crescimento, prevendo-se que continue a expandir-se em 2020 e 2021".

"Os mercados de trabalho mantêm uma forte dinâmica e o desemprego continua a diminuir. No entanto, o contexto externo tornou-se muito menos favorável e o grau de incerteza é elevado. Esta situação afeta particularmente o setor da indústria transformadora, que está também a passar por mudanças estruturais. Consequentemente, a economia europeia deverá entrar num período prolongado de crescimento menos dinâmico e inflação modesta".

"As finanças públicas da Europa deverão continuar a beneficiar das taxas de juro muito baixas aplicadas ao endividamento. Apesar de o crescimento do PIB ser inferior, prevê-se que o rácio total dívida pública /PIB da área do euro continue a diminuir pelo quinto ano consecutivo, passando para 86,4 % neste ano, 85,1 % em 2020 e 84,1 % em 2021. Os mesmos fatores são válidos para a UE, em que se prevê que o rácio dívida pública/PIB desça para 80,6 % neste ano, para 79,4 % em 2020 e 78,4 % em 2021".

"Em linha com opinião de economistas portugueses"

Na opinião de João Duque, professor de Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão, o otimismo de Bruxelas não surpreende.

"Estão em linha com aquilo que tem sido a convergência de opinião entre os economistas portugueses. No ISEG chegámos recentemente à conclusão que, muito provavelmente, o número mais certo é 2% ou muito próximo disso", explicou à TSF João Duque.

Quanto ao défice, João Duque avisou que no próximo ano o Governo terá de ser mais assertivo para atingir as metas orçamentais.

"Se o crescimento em 2020 não é tão forte como o previsível ou previsto pelo Governo, a pergunta é: como é que o Governo vai fazer para equilibrar as suas contas de modo a manter o mesmo objetivo? Isto significará, muito provavelmente, que vamos ter um claro travão em algumas despesas", acrescentou o professor.

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