"Muita da força inicial esmoreceu." Comércio com saldos, mas sem corridas

Os saldos foram atrasados durante duas semanas, como medida do Governo para conter a propagação da Covid-19, e começam esta segunda-feira.

Começaram os saldos. Debaixo de uma chuva miudinha, as lojas na Rua Santa Catarina, no Porto, ganhavam vida a pouco e pouco. Os clientes chegavam de forma tímida.

Numa loja de roupa, Paulo Melo mantém-se expectante para esta época de saldos, afetada pelo adiamento imposto: "Estou um pouco na expectativa porque é uma situação nova que está a acontecer, embora eu acredite que grande parte da força de início dos saldos foi perdida durante estes quinze dias de atraso."

Questionado sobre os resultados desta medida no volume de negócios, o comerciante revela que "vai ficar aquém". "Gostava que assim não fosse, mas acredito que muita da força inicial do impacto dos saldos esmoreceu", lamenta.

Expectativa e incerteza são as palavras de ordem do momento para Paulo Melo. Admite ainda que o futuro é incerto para os negócios e revela os principais receios: "Primeiro, aquela euforia de compras da época de Natal que se esbateu e, segundo, não saber em concreto qual vai ser a reação do público."

Ao balcão de uma boutique, a comerciante revela que o começo tardio da época de saldos prejudicou o negócio de forma irreversível. O pequeno comércio tem sobrevivido a custo: "Nestas duas semanas andavam muitas pessoas [na rua] que nestes dias já não vão estar cá e isso ia ajudar bastante ao fraco Natal que tivemos. Desta forma, o Governo só faz com que os pequenos cada vez sejam mais pequenos e desapareçam."

Noutra loja de vestuário, as perspetivas são mais positivas. Antes dos saldos, os clientes vieram ver a oferta. Hoje chegam para comprar.

"Notou-se perfeitamente que os clientes que vinham na semana passada vinham rondar e estavam a aguardar o início dos saldos. Assim que saiu a autorização para o podermos fazer, notou-se claramente que as pessoas estavam a guardar-se para hoje".

Com o passar da manhã, há cada vez mais clientes na baixa portuense. Beatriz admite que esperou pelos saldos e valeu a pena. "Como estivemos confinados estas últimas semanas e não havia saldos, não fazia sentido vir antes se podemos aproveitar agora. [...] E acho que até há mais saldos, pelo que temos visto nas lojas, há [descontos de] 50% e 70%", refere.

Manuel trouxe uma lista de compras. E espera fazer bons negócios. "Vou ver os preços e vou ver se compro alguma coisa. Estive a aguardar por estes dias para ir aos saldos", revela.

A época de saldos nas lojas físicas, e que habitualmente sucede ao Natal, começou mais tarde, por imposição do Governo, no âmbito de um conjunto de medidas que pretendiam evitar a transmissão do vírus por aglomerados da população.

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