"Não fazíamos ideia do que era uma greve de fome." Manifestantes tristes com inação do Governo

A greve de fome continua em frente ao Parlamento. Cinco dias depois, já há sinais de cansaço e de "alguma tristeza", mas os profissionais da restauração prometem não desistir.

Cinco dias e quatro noites depois, os profissionais da restauração que estão em greve de fome não mostram sinais de desmobilização, apesar de o corpo estar cada vez mais frágil. José Gouveia, um dos nove empresários que pedem para ser recebidos pelo Governo, adiantou à TSF que, até ao momento, não receberam nem uma palavra da Tutela.

O manifestante admite que o protesto em frente à Assembleia da República não está a ser fácil. "Estamos a ganhar forças não sei onde. Acordei mais cansado, mais debilitado. Hoje acordei com um sintoma novo, que é a falta de ar."

"Temos tido o apoio da Casa de São Bento, onde conseguimos tratar-nos minimamente", refere José Gouveia, com o cansaço plasmado na voz. Tomar banho, vestir, para depois "voltar outra vez para a luta", resume o representante da restauração. Mas, a água e chá, José Gouveia garante que a "determinação" e as "forças" têm sobressaído.

O manifestante acrescenta que o grupo decidiu continuar o protesto, sem data para terminar. "Ontem tivemos uma reunião, todos, exatamente para fazer um balanço, e para perceber até onde ia a nossa determinação. Unanimemente votámos em navegar à vista, que não fazia sentido agora parar. Estamos quase no pico da montanha. Não sei se alguma vez lá chegaremos, mas é esse o nosso objetivo."

"As pessoas têm de entender que viemos aqui para defender uma população inteira, porque os efeitos das restrições que têm sido aplicadas ao longo deste tempo e a forma como tem sido gerida esta pandemia em Portugal têm sido desastrosos", lamenta o empresário.

José Gouveia vê com "alguma tristeza" a inação e falta de respostas por parte do Executivo. "Nós tínhamos noção de que o Governo não ia, nem podia, ceder a chantagens deste género, se assim considerarem, mas achávamos, pelo menos, que íamos ter uma palavra, que ainda não tivemos", reconhece.

"Nós não fazíamos ideia do que era uma greve de fome. Hoje achamos que isto já é uma estupidez, mas achamos que isto já é maior do que nós." Os testemunhos que vão chegando, de vários outros proprietários, incutem em José Gouveia uma renovada "responsabilidade", ressalva. Hoje não está arrependido, mas "emocionalmente" não tem sido "fácil".

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