"Não se constrói nada com monólogos." BE diz que falta diálogo nas negociações do OE

Pedro Filipe Soares aconselha o Governo a dialogar com os partidos para levar o Orçamento do Estado para 2020 "a bom porto".

O Bloco de Esquerda, na voz do deputado Pedro Filipe Soares, acredita que há falta de diálogo nas negociações do Orçamento de Estado para 2020. O deputado bloquista adianta, no Fórum TSF desta terça-feira, que as reuniões com o Governo têm sido inconclusivas.

"Têm existido reuniões das quais não têm existido conclusões. Eu creio que isso explica as dificuldades que temos encontrado. Um diálogo faz-se quando as pessoas se escutam uma à outra, de outra forma são monólogos. Desse ponto de vista, não se constrói nada com monólogos quando se quer chegar a um consenso", avança em entrevista ao jornalista Manuel Acácio.

Pedro Filipe Soares deixa, por isso, um recado ao Governo: "Se têm vontade, de facto, de levar esta proposta de lei a bom porto, então que exista também essa vontade de dialogar sem qualquer tipo de chantagem, sem qualquer apelos ao medo, mas sim com a necessidade de ter uma proposta que é importantíssima para o país a responder às necessidades do país."

Também o líder do PAN diz estar insatisfeito com o resultado das reuniões que classifica de "poucochinho" e, à partida, não votará favoravelmente a proposta do Governo.

"Não são negociações. Têm sido reuniões a convite do Governo, para apresentar propostas que possam melhorar a proposta do Orçamento do Estado, que possam dar respostas a problemas do país, das pessoas. É um Governo sempre de braços abertos para abraçar e acolher as propostas do PAN, mas que acaba por nunca fechar esses mesmos braços", sublinha.

Já Duarte Alves, do PCP, avisa que apesar de ainda não haver "qualquer avanço concreto", há uma discussão com propostas dos comunistas "relativamente a salários e pensões, à necessidade de investimento nos serviços públicos."

"Neste momento aquilo que estamos a analisar é a proposta que está apresentada e que tem de ser votada na generalidade, com a proposta que está. Há aspetos que não estão na proposta de lei apresentada pelo Governo, o que não é indiferente para nós, mas aquilo que será votado na sexta-feira é a proposta como ela está e - como foi dito - ela não corresponde de todo àquilo que é a necessidade do país", remata.

Por outro lado, João Paulo Correia do PS acredita que o Orçamento será viabilizado pelos partidos que fizeram parte da geringonça, em linha com o que aconteceu na legislatura anterior.

"O Partido Socialista está convencido de que este Orçamento será viabilizado no Parlamento, porque também não queremos estar a pensar que aqueles que até há pouco tempo sempre concordaram, exibiram estas bandeiras e exigiram que fossem desenvolvidas estas áreas todas (saúde, transportes, combate à pobreza, aumento do rendimento disponível das famílias) - que este Orçamento do Estado aprofunda, desenvolve e reforça - não viabilizem este Orçamento. Contamos com isso", avança no Fórum TSF.

*com Manuel Acácio

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de