"Novo Banco herdou uma carteira de ativos imobiliários que era má, velha e ilegal"

Presidente do Novo Banco está a ser ouvido no parlamento.

O presidente do Novo Banco defende a legitimidade do preço dos ativos da carteira imobiliária que foram vendidos em pacote. Ouvido esta terça-feira no parlamento, António Ramalho afirmou que das mais de seis mil notificações de direito de preferência municipal só oito foram exercidas. Algo que demonstra, na opinião do presidente do banco, que o processo de venda foi adequado e que foi o preço de mercado, uma vez que esta era uma carteira de imobiliário com características próprias.

"O Novo Banco herdou uma carteira de ativos imobiliários que era má, velha e ilegal. Era má porque só 14% desses ativos eram ativos residenciais, 43% eram terrenos e cerca de 20% eram terrenos agrícolas sem qualquer tipo de utilidade específica. Várias situações com estas características", explicou o presidente do Novo Banco.

António Ramalho defendeu-se ainda dizendo aos deputados que outros bancos portugueses já fizeram vendas de imobiliário em pacote e a venda, caso a caso, duraria entre 14 a 20 anos.

Ainda de acordo com o gestor, as vendas de imóveis foram competitivas e sujeitas à "autorização prévia do Fundo de Resolução" no caso dos imóveis cobertos pelo mecanismo de capital contingente (ou seja, imóveis cujas perdas são compensadas pelo Fundo de Resolução bancário).

Sobre a escolha da empresa Alantra como consultora do Novo Banco, Ramalho assumiu que essa foi uma decisão do Conselho de Administração depois de o departamento de compliance o ter desaconselhado por a presidente executiva da Alantra Portugal, Rita Barosa, ter sido assessora de Ricardo Salgado no BES.

A administração do banco acabou por escolher a Alantra Espanha para o assessorar na venda de imóveis, sem intervenção da equipa portuguesa.

"Confesso que me sinto quase indignado por ter de explicar a minha ética republicana", disse Ramalho, acrescentando que não conhece Rita Barosa, mas considerando que alguém ter integrado determinada empresa não pode prejudicar a sua vida profissional e a própria empresa.

Estas declarações levaram a deputada do BE Mariana Mortágua a afirmar que o facto de o presidente executivo do Novo Banco se sentir incomodado ou o Novo Banco insultado por determinadas perguntas não leva a que os deputados deixem de as fazer.

Na resposta ao BE, entre elogios às capacidades intelectuais de Mariana Mortágua, António Ramalho defendeu que "o Novo Banco não é um jogo político para ser jogado, não é um Az neste jogo".

"Temos entre nós um acordo muito claro. Eu não contribuo nunca para a sua eleição e sei que não gostaria que eu fosse eleito", afirmou ainda.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de