O negócio do dinheiro já não faz dinheiro

O "Relatório Anual da Banca Global - 2021", publicado pela consultora McKinsey revela que os próximos cinco anos têm que ser de rutura.

É preciso uma rutura no mercado bancário se a industria quiser sobreviver aos avanços tecnológicos dentro do negócio financeiro, concluiu o relatório da autoria de Nuno Ferreira da consultora de gestão McKinsey & Company.

Em declarações à TSF, Nuno Ferreira, argumenta que "a banca está hoje mais segura e sólida do que há 10 anos. Nesta crise ao contrário da anterior os bancos foram parte da solução e não do problema".

Mas apesar de uma banca mais sólida em termos de capitalização, "está é muito menos atrativa naquilo que é a rentabilidade, a indústria é hoje muito mais capital intensiva e mais regulada do que era e do ponto de vista do investidor o setor é muito menos atrativo".

A banca não se comporta como uma empresa de serviços, tem baixos rácios de rentabilidade, abaixo dos 10% e mais de 50% dos bancos a nível mundial não criam valor para o acionista, por isso os investidores começam a olhar para outros negócios.

"As fintech e as grandes empresas tecnológicas como a Google e a própria Amazon que pela base de clientes que têm podem almejar a terem aqui algum negócio financeiro. Ou seja, o futuro da banca provavelmente vai passar mais por empresas tecnológicas que tenham licença bancária do que bancos como uma grande tecnologia", explica Nuno Ferreira.

Surge assim um novo paradigma e novos atores no setor sendo que os próximos cinco anos vão ser de rutura com os padrões. É preciso lembrar que "20% dos clientes bancários portugueses já têm uma conta numa fintech" embora os montantes não sejam elevados.

Mas se os clientes estão abertos à inovação o setor mantêm-se conservador. A inovação na banca portuguesa no final da década de noventa foi-se perdendo com a luta pela sobrevivência decorrente da crise financeira.

Nuno Ferreira adianta que "os bancos estiveram a limpar os esqueletos do armário e essa limpeza ainda não está feita ou está quase concluída. Ou seja, as prioridades foram outras, não foi propriamente a inovação".

As prioridades foram outras mas agora a agenda tem que mudar. Mesmo num mercado pequeno, como o português, e com as taxas de juro em níveis bastante baixos nos próximos anos "a intermediação financeira, o negócio de balanço dos bancos de conceder crédito e captar depósitos será um negócio que terá um preço médio bastante baixo" e por isso os bancos tem que procurar outras fontes de receita.

Essas novas fontes de receita podem ser comissões por serviços de valor acrescentado na medida em que "os bancos têm uma posição de charneira porque têm muitos clientes, têm uma posição de confiança e podem usar a sua base de clientes para venderem serviços não financeiros fazendo parcerias com outras instituições. Um cliente não procura um crédito habitação, um cliente quer é uma solução que lhe permita viver numa casa", defende Nuno Ferreira.

Assim, as ofertas bancárias têm que ser colocadas num portfólio de soluções para resolver as necessidades do cliente disponível para pagar por isso.

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