OCDE. Metade dos trabalhadores portugueses em risco de infeção

"Não podemos perder a geração Corona". Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico pede medidas para jovens trabalhadores e cautela dos governos ao levantar medidas de apoio económico.

Quase metade dos trabalhadores portugueses corre risco de infeção com o novo coronavírus. O número é avançado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, que cita resultados de um estudo - ainda por publicar - que mostra que em 24 dos 38 países membros da instituição, 48% da força de trabalho corre risco de contrair Covid devido às características das tarefas que desenvolve e às condições em que as desempenha; por outro lado, a análise conclui que 52% têm alguma segurança: 31% dos funcionários pode trabalhar a partir de casa, enquanto 21% têm empregos que implicam pouco contacto com outras pessoas.

Portugal alinha com a média, enquanto Espanha é o país no qual mais trabalhadores estão expostos ao risco de infeção: são 56%. No outro extremo está o Luxemburgo, onde pouco mais de 40% da força de trabalho tem condições propícias ao contacto com o vírus.

"Não podemos perder a geração Corona".

No relatório de perspetivas sobre o mercado de trabalho em 2020, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico avisa que a o mundo não pode "perder a Geração Corona" na sequência da crise provocada pela pandemia de Covid-19.

A instituição sediada em Paris sublinha que no rescaldo da crise financeira de 2008 o mundo não soube enfrentar as dificuldades laborais da juventude, o que deixou cicatrizes visíveis ainda antes do aparecimento do vírus.

A OCDE avisa por isso que "não há tempo a perder" na implementação de "um pacote de políticas que garantam que nenhum trabalhador jovem é deixado para trás".

Cautelas no levantamento de medidas

Num relatório onde deixa observações e recomendações gerais, que não se dirigem a nenhum pais em particular, a organização defende por exemplo que os governos incentivem as empresas a contratar recém licenciados e a disponibilizar estágios pagos.

Olhando para medidas que com variações foram implementadas em muitos países, como o layoff, a OCDE sublinha que elas têm de ser adaptadas a uma nova fase, de forma a permitir a retoma e ao mesmo tempo não colocar em causa a saúde pública e a dos trabalhadores.

Os prazos dos subsídios de desemprego, por exemplo, devem ser alargados, sem esquecer as pessoas em empregos não tradicionais, como os trabalhadores independentes. Os governos devem também garantir que quem precisa de ajuda a recebe, e ao mesmo tempo implementar incentivos para o regresso ao trabalho de quem pode.

As empresas que ainda não conseguem operar normalmente (como na indústria de entretenimento), devem continuar a ser apoiadas, mas nos setores onde a reabertura for possível, os mecanismos de mercado devem funcionar, permitindo que os trabalhadores e recursos transitem de atividades inviáveis para outras mais promissoras.

Programas de apoio à manutenção do emprego, como o layoff simplificado, têm de ser adaptados [em Portugal já foram anunciados as medidas que substituem o layoff], garantindo ao mesmo tempo que não existem abusos de empresas que recebem o apoio estatal mesmo tendo os funcionários a trabalhar.

A OCDE avisa no entanto que os países devem ser muito cautelosos na adaptação de medidas deste tipo, "para evitar um crescimento súbito de despedimentos" nos próximos meses.

A OCDE defende que para incentivar a criação de emprego, as medidas dos governos devem passar pelo investimento público e privado em infraestruturas essenciais.

A Covid, escreve a organização, "expôs fragilidades nas nossas economias e sociedades que vão ter consequências negativas se não forem enfrentadas". Mas se "nestes tempos de crise, a palavra 'normalidade' parece muito atrativa, o nosso normal não era bom para as muitas pessoas que não tinham emprego ou tinham ocupações precárias".

A OCDE defende por isso que o mundo deve "aproveitar o ímpeto criado pelas respostas iniciais fortes dos vários países para criar medidas melhores para vidas melhores no mundo pós-Covid".

Portugal, o país que pior fica na fotografia do ensino profissional

Portugal é o país com mais contratos a prazo nos trabalhadores vindos do ensino profissional, escreve a organização.

A OCDE organizou analisou os funcionários por origens formativas ("menos do que o ensino secundário", "secundário ou superior em setor não terciário", "secundário e superior de ensino profissional em setor não terciário" e "sector terciário"), e conclui que ao contrário dos outros países da organização, onde o ensino profissional é um dos grupos onde os contratos a prazo são menos prevalentes, Portugal é o único Estado onde este grupo é aquele no qual os contratos a termo são mais comuns: atingem quase 50% das pessoas, mais do que os cerca de 40% do setor terciário, e cerca de 35% dos empregados com menos qualificações e dos dos setores primário e secundário.

A instituição escreve que os trabalhadores vindos do ensino profissional - uma vertente do ensino muito comum noutros países - "têm geralmente baixas taxas de desemprego, e maior segurança laboral".

Para além disso, escreve a instituição, "estes trabalhadores têm menor probabilidade de ter um contrato a prazo". A única exceção é Portugal, onde estes trabalhadores são o grupo com maior tendência para terem contratos a termo"

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