Depois de ouvir BE e PCP, PS considera que há margem para aprovar OE

Ana Catarina Mendes volta a frisar que o Governo tem demonstrado capacidade negocial e abertura para aceitar medidas propostas por outros partidos, mas avisa que no Orçamento do Estado também é preciso fazer cedências.

Ana Catarina Mendes voltou a alertar o Bloco de Esquerda para que não continue a estabelecer "linhas vermelhas em cima de linhas vermelhas". A líder parlamentar do Partido Socialista não acredita que algum partido queira ver o país a ser governado num regime de duodécimos e considera estarem reunidas as condições para que as negociações avancem para a fase seguinte. "O Governo tem estado a dar todos os sinais de abertura para continuarmos a negociar. Não se pode é acrescentar, como o Bloco de Esquerda tem feito, linhas vermelhas em cima de linhas vermelhas."

Um dia depois de ter referido que o PS reage com estranheza às palavras de Catarina Martins, que foi perentória ao afirmar que "se não houver um orçamento que garanta o acesso à saúde da população portuguesa e que não garanta a proteção social de quem perdeu tudo com a crise não serve ao país, o que é preciso fazer é outro", e depois de uma noite com avanços negociais, a líder parlamentar reiterou que o Executivo tem empreendido todos os esforços no processo.

"Até os líderes parlamentares dos vários partidos reconhecem que há avanços significativos, seja na área da saúde, seja na área dos apoios sociais, na administração pública ou mesmo no ambiente, portanto eu diria que temos todas as condições para avançar para a fase seguinte, porque eu também não quero acreditar que algum dos partidos queira o país governado em duodécimos, porque governar em duodécimos significaria não haver mais despesa e não haver aprovação de novas medidas."

Ana Catarina Mendes volta a lembrar que "nem tudo é possível, e as negociações são também cedências", depois das declarações de terça-feira, em que apontava o dedo ao BE. "Esta proposta de 'apresente-se lá outro orçamento', depois de meses, torna-se uma irresponsabilidade", repreendeu na terça-feira Ana Catarina Mendes, ao mesmo tempo que aproveitou para justificar que as medidas propostas pelo BE foram levadas em consideração: o apoio social foi aprovado no orçamento suplementar e "ganha corpo no OE para todos os que perderam o emprego". Também o SNS foi reforçado, para atender as necessidades espoletadas pela pandemia.

A exigência de que o Fundo de Resolução não contenha dinheiro público também será atendida, reforçou nessa altura a socialista. Esta manhã Ana Catarina Mendes voltou a falar das cedências feitas: "O Bloco de Esquerda dizer que não quer fundos públicos no Fundo de Resolução para o Novo Banco... Isso está consagrado no Orçamento do Estado."

"Como líder parlamentar do Partido Socialista, tenho dito aos meus colegas líderes parlamentares que estou totalmente disponível para continuarmos a trabalhar e para, na próxima fase, na fase de especialidade, nós encontrarmos todas as soluções que forem razoáveis e que também tenham bom senso", posicionou-se a deputada socialista esta manhã, em declarações ao Fórum TSF.

Na perspetiva de Ana Catarina Mendes, várias iniciativas partidárias já foram consideradas e incluídas no documento orçamental, o que prova o investimento do Governo numa solução de compromisso. "Julgo que a proposta que está em cima da mesa é uma boa proposta, que acolhe um conjunto de medidas que os parceiros partidários no Parlamento colocaram. Isso não dispensa que, até ao final da votação final global, nós continuemos a trabalhar sempre para melhorar as propostas."

"O Governo tem avançado com um conjunto significativo de compromissos, à cabeça o Orçamento do estado que está. Uns dizem que é insuficiente, outros dizem que não está em condições para ser votado, mas a verdade é que o Governo ao longo dos tempos tem apresentado todas as propostas e tem acolhido uma parte significativa das propostas." A líder parlamentar socialista assegura que o Governo tem feito muito para chegar a um entendimento e não compreende que o busílis da questão seja o Novo Banco, quando alguns compromissos já foram assumidos. "Se o Governo não tivesse mais para dar, não se tinha sentado ontem à mesa e não tinha mantido a disponibilidade para continuarmos a discutir em sede de especialidade. Esse é o nosso compromisso."

A deputada do PS conclui lembrando que o OE2021 é passível de alterações até à votação final: "Não se pode assumir que um Orçamento entre na Assembleia da República e não seja suscetível a alterações. É suscetível a alterações até ao final da sua aprovação."

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