Os incentivos à mobilidade ou a falta deles

Operadores e utilizadores de veículos elétricos pedem mais apoios à compra de novos e ao abate de velhos.

Tanto os utilizadores, como comerciantes, pedem mais incentivos ao governo para a mobilidade, com estudos que permitem fazer uma análise comparativa a todo o ciclo de vida útil de um automóvel, como por exemplo, o International Council on Clean Transportation, que conclui que o veículo elétrico é, em média, entre 66% a 69% menos poluente do que os veículos a combustível.

Mas apesar destes dados e da produção de eletricidade em Portugal ter já uma forte proveniência de fontes renováveis (em média, o mix energético é de 50%, mas há dias em que atinge os 80%), a verdade é que Portugal continua com um parque automóvel envelhecido e os preços dos novos veículos elétricos ainda não estão acessíveis ao bolso de todos os portugueses.

A ACAP - Associação Automóvel de Portugal tem defendido o abate de veículos mais antigos por unidades novas a gasóleo e a gasolina com emissões de até 120 gramas de dióxido de carbono. O programa da associação envolveria 25 mil carros por ano, uma vez que na ultima década os veículos ficaram três anos mais velhos em Portugal, ou seja, a idade média dos ligeiros de passageiros passou de 10 para 13 anos e meio, depois da troika e da pandemia.

Atualmente, face ao prolongamento da crise dos microchips, a subida de juros e preços de combustíveis, energia e gás a fazer disparar a inflação, o setor pede reforço de incentivos ao abate para rejuvenescer o mercado.

A própria associação do comércio e reparação automóvel (ANECRA) terá apresentado ao governo um projeto para abater até 20 mil carros por ano e atribuir incentivos variáveis à compra de novas unidades: 750 euros para automóveis a gasolina; 1125 euros para híbridos plug-in; 2250 euros para elétricos puros.

O momento é de reflexão e na contagem decrescente para a apresentação do Orçamento do Estado de 2023, a ACAP estende esta sexta-feira o debate a parceiros e políticos numa sessão no hub criativo do Beato, com a monitorização que tem feito, através de estudos a nível nacional e europeu.

Helder Pedro considera que é inevitável e possível através de maiores incentivos e do reforço do fundo de carbono.

Mais longe vai a proposta de Henrique Sanchez, presidente da UVE, a associação de utilizadores de veículos elétricos, pedindo uma subida de quatro para seis mil euros do incentivo a particulares para compra de elétricos, em linha com os valores praticados noutros países do sul da Europa.

Pelas contas da UVE, este ano, também a venda de usados importados subiu já 20% e há mais sugestões para a criação de novos incentivos.

Resta saber o que vai prever o próximo OE 2023 para estímulos à mobilidade e se será suficiente para tirar Portugal da lista dos países da União Europeia com carros mais antigos.

Há dois anos, a associação europeia de fabricantes automóveis deu conta que no final de 2020, Portugal ocupava o 11.º lugar entre 27 Estados-membros com a frota automóvel mais envelhecida.

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