Os três crimes de 10 milhões de euros imputados ao "Dono Disto Tudo"

Ministério Público acusou Ricardo Salgado de 21 crimes, mas Ivo Rosa colocou 18 na gaveta. Sobram três, de abuso de confiança num desvio de mais de 10 milhões de euros. Bataglia e Granadeiro aparecem em coautoria.

Os três crimes de abuso de confiança pelos quais Ricardo Salgado vai responder em tribunal correspondem a atos muito semelhantes entre si: o "Dono Disto Tudo" ordenava transferências de contas de empresas do Grupo Espírito Santo ou de outras controladas por alguém da sua confiança para outras, detidas por si e por pessoas com quem alinhava a operação. Somados, mostram um desvio de mais de 10 milhões de euros.

Os três terão sido concretizados em 2011 com um mês de diferença: o primeiro, em outubro, por uma transferência de 4 milhões de euros, com origem numa conta da ES Enterprises (empresa do grupo BES) na Suíça para uma conta de uma offshore controlada por ele (a Savoices) no Credit Suisse.

O segundo foi em novembro, em coautoria com Hélder Bataglia, um nome de sua confiança e muito forte no universo Espírito Santo. Tratou-se de uma transferência de 2,75 milhões de euros de uma conta aberta na ES Enterprises na Suíça de uma empresa controlada por Bataglia para a mesma conta da Savoices referida no primeiro crime, detida por aquele a quem chamavam o DDT, ou "Dono Disto Tudo".

O terceiro crime de abuso de confiança que Ivo Rosa remete para julgamento ocorreu em simultâneo com o anterior e foi feito em parceria com Henrique Granadeiro, à data presidente do Conselho de Administração da Portugal Telecom. O alegado ilícito corresponde a uma transferência de quase 4 milhões de euros de uma conta de Granadeiro no banco suíço Pictet para uma noutra instituição financeira helvética, a Lombard Odier. Essa conta era detida pela offshore Begolino, controlada por Salgado.

Salgado em 2013: "Estou em forma"

"Os marinheiros mais experientes são os que conduzem melhor as embarcações em temporais muito grandes". A frase é de Ricardo Salgado, que em entrevista à TSF em maio de 2013, pouco mais de um ano antes da queda do banco (e depois dos atos pelos quais responderá em tribunal), respondeu assim à pergunta sobre se pretendia continuar à frente do Banco Espírito Santo (BES).

A instituição financeira cairia com estrondo em agosto de 2014.

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