Partidos apontam o dedo à falta de fiscalização do BdP à Caixa

Bloco de Esquerda, CDS, PSD, PS e PCP apontaram o dedo às "operações ruinosas" realizadas pelo banco público entre 2005 e 2008.

A posição dos partidos é unânime: faltou fiscalização e acompanhamento do Banco de Portugal à Caixa Geral de Depósitos. Durante o Fórum da TSF, em entrevista ao jornalista Manuel Acácio, Bloco de Esquerda, CDS, PSD, PS e PCP apontaram o dedo às "operações ruinosas" realizadas pelo banco público entre 2005 e 2008.

A deputada do CDS, Cecília Meireles considerou "difícil de acreditar que isto tudo se passou, que os agentes políticos se aperceberam e que não tiveram nenhuma interferência"

"É um bocadinho difícil de acreditar que não tenha havido aqui uma intencionalidade política", vincou a deputada centrista.

Duarte Alves, do Partido Comunista, questiona o papel do Banco de Portugal na supervisão da CGD, remetendo para as declarações do antigo governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, na comissão de inquérito desta terça-feira: "O senhor Vítor Constâncio disse basicamente que o Banco de Portugal não podia fazer nada antes da operação, porque não a conhecia. Também não podia fazer depois, porque a operação já estava feita. Nem sequer podia aplicar medidas corretivas face àquelas operações ruinosas. Portanto, se é para isto que serve a supervisão dita independente, estamos conversados."

No mesmo plano, Duarte Pacheco, do PSD, defendeu que a CGD foi gerida da mesma forma que os bancos privados: "Pensar que por ser público era melhor gerido é mentira. Era gerido da mesma forma que os bancos privados, porque depois a desgraça aconteceu em dimensão equivalente."

O social-democrata acusou o antigo governador de Portugal de agir de forma "negligente" e sublinhou que "o Banco de Portugal, e o Doutor Vítor Constâncio como governador, têm grandes responsabilidades naquilo que aconteceu na CGD".

João Paulo Correia, do Partido Socialista, apontou a "falta de comparência do Banco de Portugal naquilo que foram as grandes operações da Caixa Geral de Depósitos ao longo destas duas décadas", mas tambéma "falta de controlo interno na gestão da Caixa Geral de Depósitos".

A deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua acusou o Banco de Portugal de ter um papel pouco ativo na fiscalização dos bancos: "O Banco de Portugal acompanha os dados que lhe são enviados pelos bancos e não tem tido, até agora, uma capacidade mais intrusiva. Isto também é um problema de cultura institucional. Há um problema do Banco de Portugal que não é uma cultura de intrusão, nem de interferência com a gestão de bancos, é uma cultura de acompanhamento e até de cumplicidade com os bancos."

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