Patrões também querem aumentar ordenados, mas garantem que isso já está a acontecer

Primeiro-ministro e candidato a novo mandato à frente do Governo pediu "coligação" com as empresas. Empresas não dizem que não, mas alertam que é preciso criar condições para aumentar os salários.

Três das quatro confederações patronais com lugar na Concertação Social também dizem que desejam aumentar os salários, mas sublinham que as boas intenções não chegam.

No final da semana passada, num almoço promovido pelo International Club of Portugal, em Lisboa, o primeiro-ministro e líder do PS afirmou que pretende levar em breve à Concertação Social a discussão de um plano para aumentar os rendimentos do trabalho, pedindo mesmo uma coligação entre Estado e empresas com esse objetivo.

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) diz que aumentar os salários e, dessa forma, o poder de compra, é algo que todas as empresas querem até para subir o mercado interno.

O problema é que "as empresas só o podem fazer se tiverem a possibilidade de repercutir esses aumentos na venda dos produtos e serviços pois as margens de lucro são baixas".

Por outro lado, tem de se "aumentar a produtividade e baixar os custos das empresas nos custos de contexto (burocracia, combustíveis, energia, etc.) e baixar a carga fiscal", pelo que fazer apelos "voluntaristas não passa de boas intenções que aparecem em altura de campanha eleitoral".

Sem condições concretas, diz João Vieira Lopes, estes apelos do primeiro-ministro, candidato a novas eleições, são "irrealistas".

País já não tem modelo de baixos salários

António Saraiva, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), assistiu ao vivo às explicações do primeiro-ministro sobre a proposta de coligação Estado-empresas e diz que já hoje as empresas estão a pagar mais (o salário médio não tem parado de subir) porque há muita dificuldade em encontrar mão-de-obra qualificada.

O representante dos patrões afirma que o país já não vive no modelo do passado de baixos salários.

A Confederação Empresarial de Portugal admite, contudo, que os salários cresçam mais no futuro, na linha do proposto pelo líder do PS, mas recorda as questões de fiscalidade e outras que precisam de mudar para que as empresas tenham capacidade de subir mais os rendimentos dos trabalhadores.

António Saraiva sublinha que não está a falar de "condições para aumentar" salários mas sim para "o desenvolvimento das nossas empresas como a melhoria das margens, a obtenção de novos produtos, novos mercados...".

Outra entidade com lugar na Concertação Social, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), também não afasta aumentos nos rendimentos dos trabalhadores e responde dizendo que "claro que é possível".
No entanto, o presidente, Eduardo Oliveira e Sousa, recorda que nos últimos anos não foi possível chegar a consensos e estratégias para atingir esse objetivo que agora o primeiro-ministro apresenta como promessa eleitoral.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) afirma que para libertar "recursos" as empresas precisam de melhorar as suas performances e uma das principais dificuldades está na "asfixia fiscal" que o Governo tem praticado nos últimos anos.

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